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Pezão vence e dedica sua reeleição a Cabral

Atual governador, candidato do PMDB venceu o senador Marcelo Crivella (PRB) em disputa no Rio de Janeiro

Wilson Tosta e Antonio Pita, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2014 | 18h44

Atualizada à 00:20

O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), foi reeleito neste domingo, com 55,78% dos votos. Derrotou o senador Marcelo Crivella (PRB), que obteve 44,22%, após dura campanha no 2.º turno. O resultado é uma vitória política do ex-governador Sérgio Cabral Filho (PMDB), cujo grupo político completará 12 anos à frente do Estado. O partido também controla a prefeitura da capital fluminense desde 2009 e, com o resultado, mantém a relevância nacional da legenda.

Em entrevista após o anúncio do resultado, Pezão afirmou que “nem nos melhores sonhos” imaginava ser eleito. Classificou o resultado de “extraordinário” e disse que sai das urnas com o “compromisso redobrado”. Pezão dedicou a vitória a Cabral, que deixou o cargo em abril, em benefício de sua candidatura. “Dedico a vitória a ele, que me escolheu como vice-governador e fez um governo que me levou a ter 41% dos votos no primeiro turno. A gente sabe que não fez tudo o que a população esperava, mas o Rio de Janeiro é muito diferente do que há oito anos”, disse Pezão, ao lado da mulher, Maria Lúcia Jardim, e do vice eleito, Francisco Dornelles (PP). 

Imagem. A vitória do PMDB seria difícil de imaginar no início de 2014. A popularidade do então governador Cabral estava em níveis críticos. Ele jamais se recuperara das manifestações de 2013, que o tomaram como alvo. O peemedebista também tinha problemas de imagem, por causa de episódios como uma festa em Paris em que secretários foram fotografados com guardanapos na cabeça, e pelo uso do helicóptero oficial. O Palácio Guanabara, sede do governo, virou alvo de demonstrações violentas. Foram marcadas por repressão da Polícia Militar, que deu fôlego ao movimento “Fora, Cabral”.

Para superar esse quadro, o PMDB adotou uma estratégia de risco. Cabral renunciou no início de abril. Desistiu da intenção de concorrer ao Senado e sumiu. Escondeu-se para evitar contaminar Pezão com sua impopularidade. O novo governador, até então um vice que atuava como secretário de Obras, investiu em se tornar conhecido.

Na eleição, o marqueteiro Renato Pereira apresentou Pezão como uma espécie de oposto de Cabral. Em lugar do governador festeiro que viajava com frequência ao exterior, entrou um homem simples, filho de operário e de origem rural.

Na construção dessa imagem, Pereira aproveitou o tempo de TV assegurado pela coligação do PMDB com outros 17 partidos. Ele o usou para fazer um programa que o cientista político Ricardo Ismael, da Pontifícia Universidade Católica do Rio (PUC-RJ), chamou de “narrativa tranquila”. Pezão era mostrado andando por pastos, conversando com moradores da zona rural, papeando com donas de casa em comunidades pobres.

Essa estética foi abandonada no início do segundo turno. Surpreendido por ter de enfrentar Crivella - e não Anthony Garotinho (PR), como esperava -, Pezão adotou uma forte campanha de desconstrução. Acusou o adversário, bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus e sobrinho do chefe da Iurd, Edir Macedo, de misturar política e religião. Acenou com o perigo de o governo estadual ser colocado a serviço da igreja e ressaltou o apoio, no segundo turno, de Garotinho a Crivella.

O objetivo era aumentar a rejeição do candidato do PRB, que era baixa. Alcançada a meta, a “narrativa tranquila” foi retomada no fim da campanha, que resultou em vitória também tranquila.

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