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'Perda' de livros-caixa ocorreu antes de acordo

O Estado de S.Paulo

03 Maio 2014 | 02h 07

Laboratório é apontado como carro-chefe de esquema de lavagem de dinheiro

Cinco dias antes de assinar termo de compromisso com o Ministério da Saúde para uma Parceria de Desenvolvimento Produtivo (PDP), o laboratório Labogen Química Fina e Biotecnologia - apontado pela Polícia Federal como carro-chefe de um esquema de lavagem de R$ 10 bilhões - publicou no Diário Oficial do Estado de São Paulo comunicado de extravio de todos os seus livros contábeis.

A divulgação ocorreu no dia 6 de dezembro de 2013. Mesmo assim, no dia 11, a parceria foi celebrada pela Saúde e o então ministro Alexandre Padilha assinou como testemunha. Também assinou o termo Leonardo Meirelles, a quem a Polícia Federal imputa o papel de "laranja" do doleiro Alberto Youssef, alvo maior da Operação Lava Jato.

Padilha tem declarado, desde o início da semana, que mantinha em sua gestão "filtros rigorosos" para impedir irregularidades no ministério. Para os investigadores da Lava Jato, a vigilância alardeada pelo ex-ministro não funcionou no caso Labogen, já que sua assessoria não identificou a pulverização da documentação do laboratório.

O Ministério da Saúde poderia ter facilmente descoberto a "ocorrência" anunciada pelo Labogen. Diariamente, todos os dados publicados no Diário Oficial são colocados na internet. Um caderno é dedicado às empresas, que podem dar publicidade nesse espaço a balanços, convocações, atas e alterações.

O mesmo comunicado, com informações idênticas, foi publicado pelo Labogen em jornais da região de Indaiatuba (SP), no dia 18 de fevereiro deste ano, um mês antes da deflagração da Lava Jato. Utilizando seu nome de registro na Junta Comercial - Labogen S/A Química Fica e Biotecnologia -, o laboratório destacou que a mensagem era destinada "ao mercado em geral, para os devidos fins". / FAUSTO MACEDO

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