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Eleições 2014

Pastor Everaldo defende privatizações e programas sociais

O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2014 | 18h 21

Candidato reforça posição liberal na economia e conservadora nos direitos civis, mas reconhece ser difícil reduzir carga tributária a curto prazo

Único candidato à Presidência da República a defender abertamente um modelo liberal de economia em sua forma mais clássica, Pastor Everaldo, do PSC, foi o segundo presidenciável a participar da série Entrevistas Estadão. Como solução para os problemas do País, ele voltou a prometer privatizações em todas as áreas da economia, mas deixando um porém: a educação permanece pública.

"A educação pública no Brasil não precisa de privatização, mas de gestão. Não é dinheiro. Participação das famílias na escola. Temos de restabelecer a dignidade do professor na educação. E dinheiro para poder dar um salário digno para valorizar o professor e aparelhar a escola", afirma. Além da Petrobrás, que Everaldo já havia prometido passar para a iniciativa privada na terça-feira, o candidato colocou também em seu pacote os aeroportos e a saúde.

"Todos os aeroportos devem ser privatizados. Como na questão da telefonia, antes das privatizações você tinha de declarar no imposto de renda e demorava cinco anos para conseguir uma linha. As prefeituras no Brasil estão passando exames laboratoriais para a iniciativa privada. Precisamos de gestão.", explica.

Entretanto, apesar do liberalismo, o candidato do PSC afirma que vai manter os programas sociais do PT (cujo partido de Everaldo afirma nunca ter feito parte do governo, apesar da alta taxa de votação conjunta). "Eu ajudei a implementar o precursor do Bolsa-Família, o Cheque-Cidadão na gestão Anthony Garotinho. Hoje (os programas sociais) são necessários", diz, e afirma que não há como reduzir tributos na atual conjuntura do Brasil. "Não é possível diminuir a carga tributária neste momento. Trabalharemos para reduzir a zero os tributos no setor de saúde. O governo hoje gasta mais do que arrecada. Aí tem que pegar dinheiro a juro hoje de 11% e isso só aumenta. Vamos diminuir o Estado para 'cortar na carne' e economizar".

Alex Silva/Estadão
Pastor Everaldo defendeu estado mínimo mas com manutenção de programas sociais

Família. Outro ponto em que Pastor Everaldo foi questionado foram em suas defesas conservadoras em termos de moral e costumes. Notoriamente contra o aborto, a legalização das drogas e o casamento homossexual, o candidato negou que vá fazer um governo religioso e prometeu ser presidente para todos os brasileiros, inclusive aqueles que não concordam com suas posições.  

"A democracia garante a liberdade de defender suas crenças. Cada um defende naquilo que acredita. Sou favorável ao voto e que mostrem sua força na urna. Vamos votar e decidir", diz. "Eu não tenho ideia religiosa. Eu não vou impor ao cidadão os meus princípios. Graças a Deus aqui há democracia, não estamos em Cuba nem na Venezuela".

Além destes temas, Pastor Everaldo também defendeu outras posições contrárias as da esquerda como o porte de armas ("Tivemos um referendo em 2005 que não está sendo cumprido") e a taxação de grandes fortunas.

Na próxima sexta-feira, é a vez da candidata do PSOL à Presidência da República, Luciana Genro.

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