Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Para Marun, decisão do TRF-4 reforça que Lula não pode ser candidato

Ministro da Secretaria de Governo reforça que ex-presidente não pode ser candidato nas eleições de outubro

Carla Araújo, O Estado de S.Paulo

26 Março 2018 | 17h54

BRASÍLIA - O ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun, afirmou nesta segunda-feira, 26, que a decisão do Tribunal Regional Federal da 4ª região de rejeitar os embargos de declaração do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçam que o ex-presidente não pode ser candidato nas eleições de outubro. "Lula não pode ser candidato e essa decisão de hoje somente corrobora esse entendimento", disse.

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Marun afirmou que o PT deveria rever a forma como está atuando "como se nada tivesse acontecido" e disse que a elevação da temperatura "sobre a impossível candidatura" de Lula é "preocupante". "A lei é clara, ele não pode ser candidato nas próximas eleições", reforçou.

Apesar disso, o ministro disse ainda que o Brasil não possui tradição de conflito. "Aqueles que tentaram transformar o Brasil numa Venezuela não conseguiram", disse.

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O Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4), por 3 votos a 0, rejeitou nesta segunda-feira, 26, o embargo de declaração do ex-presidente Lula contra o acórdão que o condenou a 12 anos e um mês de prisão, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, no caso triplex. Com a decisão unânime da Corte de apelação da Operação Lava Jato, o petista poderia ser preso. Lula, no entanto, tem sua liberdade garantida pelo menos até 4 de abril quando o Supremo Tribunal Federal (STF) vai analisar um habeas corpus preventivo. 

CANDIDATO NO GOVERNO VAI PARA O 2º TURNO, AFIRMA MARUN 

Para Marun, com as declarações do presidente Michel Temer de se candidatar à reeleição, ele tem "ainda mais certeza" de que o candidato do governo estará no segundo turno e afirmou que uma possível chapa de Temer com o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, não será um problema se houver apoio da coligação. "Se eu já tinha certeza (que o candidato do governo estará no 2º turno), com o presidente Temer declarando a possibilidade de ser candidato, tenho mais convicção ainda", disse.

Ao ser questionado se o lançamento de uma candidatura do presidente, com baixa popularidade, não pode ser um alto risco de um fiasco, Marun afirmou que "quem não tem coragem não se mete a ser político". Na semana passada, em entrevista a Isto É, Temer disse que não se candidatar seria "uma covardia".

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Marun afirmou ainda que, com informações, o governo vai conseguir furar uma "bolha" que foi criada pela "perseguição contra Temer". "A perseguição que presidente Temer sofreu impede a ele chegada de notícias boas. Na hora que furar a bolha, a sociedade verá o grande trabalho de Temer", afirmou.

Apesar de o próprio Temer ter declarado mais cedo ao Broadcast Político que Meirelles vai se filiar ao MDB e deixar a Fazenda em abril, o ministro disse que essa ainda não era a "posição oficial". "O ministro Meirelles é um grande quadro, obviamente sua filiação enriqueceria o MDB. É um nome que tem disposição para participar da próxima eleição, as tratativas estão evoluindo bem, mas ainda não temos condições de fazer afirmações peremptórias em relação a sua decisão final", disse.

O ministro afirmou que o MDB começa a se mobilizar para estabelecer uma candidatura do governo e disse desconhecer a negociação para uma chapa puro sangue com Temer e Meirelles. "Tanto Temer como Meirelles são adequados e avaliados com otimismo pelo MDB", afirmou.

Para Marun, caso Meirelles se filie ao MDB, não deve haver resistência de partidos coligados, pois no período eleitoral as siglas passam a agir com unidade. "Assim sendo se o conjunto de partidos que vier a apoiar a candidatura de governo entender que os dois melhores quadros sejam no mesmo partido (não há problema)", disse.

Sobre a saída do ministro da Fazenda, Marun disse que "talvez" Meirelles tenha confirmado ao presidente Temer. "Todavia não é o que temos hoje de forma oficial. Temos hoje que as conversas estão avançadas e conduzidas pelo próprio presidente da República", reforçou o ministro, ressaltando que não tem participado das conversas que estão ocorrendo entre o presidente e Meirelles.

 

REFORMA MINISTERIAL ​

Marun disse ainda que não há definição sobre substitutos para os ministérios que perderão seus comandos por conta da descompatibilização e reiterou que, no caso da Fazenda, o ministro Meirelles será ouvido. "A Fazenda é conduzida por equipe qualificada e que continuará trabalhando pelo Brasil", afirmou. "Tratativas sobre futuro ocupante da Fazenda são conduzidas pelo presidente e por Meirelles."

Segundo Marun, não há nenhum nome definido para substituições de ministros que disputarão as eleições. "Não acredito que soluções definitivas sejam tomadas nesta semana e a montagem final de ministérios deve ficar para a semana que vem", avaliou.

Sobre a possibilidade de Gilberto Occhi deixar a Caixa e comandar o ministério da Saúde no lugar de Ricardo Barros, Marun afirmou que o nome de Occhi é visto com respeito, mas é um dos nomes que está sendo apresentado. Segundo Marun, num primeiro momento, é possível que o governo fique com ministros interinos e que o presidente estuda uma posse coletiva para marcar esta próxima etapa do governo. "É possível."

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