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Para Luciana Genro, Lula 'nunca foi de esquerda'

- Atualizado: 22 Agosto 2014 | 18h 32

Candidata do PSOL à Presidência da República se coloca no lado oposto ao de Marina e Dilma e diz que falta 'informação' para população apoiar aborto e liberação das drogas

Para Luciana Genro, do PSOL, as candidatas Dilma Rousseff (PT) e Marina Silva (PSB) estão do "lado errado" de muitas políticas defendidas pelas mulheres. A terceira candidata à Presidência da República a participar da série 'Entrevistas Estadão' afirmou que suas duas rivais na corrida pelo Planalto não abordam temas importantes como o direito às creches e a descriminalização do aborto. Para ela, o governo Dilma não é de esquerda e a representante do PSB é "de direita, como o PSDB".

"Eu diria uma frase: não basta ser mulher, é preciso estar do lado certo. E Dilma e Marina defendem lados muito errados para os direitos das mulheres. Posições econômicas, por exemplo", disse Luciana. "O PT tinha grupos de esquerda dentro do partido, mas o Lula, por exemplo, se revelou nunca ser de esquerda, apenas de oposição", explicou. "Porque o Lula teve de fazer acordos e até o Mensalão para aprovar assuntos no Congresso? Eram medidas contrárias aos interesses do povo. Eu sou a favor de defender esses interesses e podem me chamar de populista. Para defender os interesses do capital, já existem partidos como PT e o PSDB."

Defensora árdua de uma reforma tributária, a candidata do PSOL projetou que, se eleita, vai terminar com "a isenção de impostos de igrejas, bancos e operações na bolsa de valores" e quer maior taxação sobre fortunas acima de R$ 50 milhões declarados.

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"A própria Receita deve ter uma forma de fiscalização mais forte, aprimorando o controle sobre o patrimônio, tamanha é a concentração de renda no País: temos 15 famílias que acumulam a riqueza que equivale a dez vezes o que se gasta com o Bolsa Família, ou seja, R$ 260 bilhões", diz Luciana.

Desinformados. Para aprovar mudanças como a descriminalização do aborto e a legalização das drogas, Luciana acredita em um "maior debate" na sociedade. De acordo com a candidata, "falta informação" para que a população aprove novas políticas.  

"Eu acho que existe um nível de debate precário desses assuntos. As pessoas não sabem, por exemplo, que os abortos clandestinos configuram como o quarto motivo de morte materna", diz. "A melhor forma de prevenir os jovens de usarem a maconha é justamente tirá-la do rol de drogas ilícitas. Eu acredito que, se houver o debate, a população entenderia a situação melhor. Mas, no caso de plebiscitos em que a vontade da população fosse a de não aceitar, eu não seria contra" afirma a candidata.

"Não é uma questão de acreditar em luta de classes, mas a questão é que ela existe. Eu sonho com um Estado socialista no sentido de que nós possamos acabar com essa lógica da economia e do Estado servindo a uma minoria", completa, resumindo o que planeja se eleita.

A série Entrevistas Estadão volta na próxima quarta-feira, 27, com o candidato à Presidência da República pelo PSDB, Aécio Neves. Interessados podem se inscrever para acompanhar ao vivo a entrevista no auditório do jornal O Estado de S. Paulo. 

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