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Para Dilma, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo

Ricardo Brito, Célia Froufe e Victor Martins - O Estado de S. Paulo - Atualizado às 13h55

30 Agosto 2014 | 12h 38

Declaração foi um recado indireto para Marina Silva; presidente, candidata à reeleição, participa de evento no interior de São Paulo

BRASÍLIA - Em um recado indireto a sua adversária Marina Silva, a presidente Dilma Rousseff criticou há pouco aqueles que pretendem governar prescindindo dos partidos políticos. Em ato de campanha em Jales (SP), com a presença do seu vice, Michel Temer, e do candidato do PMDB ao governo, Paulo Skaf, Dilma exaltou sua parceria com os peemedebistas, chamando a legenda de "partido da democracia", e disparou: "Numa democracia, quem não governa com partidos está flertando com o autoritarismo. No mundo, não há um único lugar que se governa sem partidos", disse.

Dilma disse que, no evento, estão presentes aqueles que acreditam que a Petrobrás é uma grande empresa e que não querem reduzir o papel da estatal petrolífera. Segundo ela, a riqueza produzida pela companhia será o passaporte para o futuro e para a educação do País. "Nós somos aqueles que sabem que, sem apostar na educação, o nosso País não cresce", afirmou.

A presidente disse que, sem a ajuda do Parlamento, nós não tínhamos aprovado a destinação dos recursos dos royalties do petróleo e a destinação de recursos do pré-sal para a saúde e educação. Numa referência aos adversários, ela disse que há quem quer "acabar" com a Petrobrás.

Crédito de banco público. Dilma afirmou ainda que, sem o crédito subsidiado pelo governo federal, vários setores da economia serão afetados negativamente. "Não é só o Minha Casa, Minha Vida. O mais grave é que também não vai ter Plano Safra da agricultura, do agronegócio. Hoje, todo o dinheiro do plano safra, tudo tem participação do recurso público", disse.

A presidente rebateu propostas de seus adversários, dizendo que uma delas tira do Brasil o "passaporte para o futuro", que é o petróleo do pré-sal. "Vocês começam a ver a gravidade das propostas que estão ai", alertou. A outra proposta, segundo ela, impedirá que o governo federal financie o metrô. A candidata explicou como funciona o empréstimo: 30 anos para pagar, cinco anos de carência, e 5% de taxa de juros. Ela salientou que taxa básica de juros, a Selic, atualmente está em 11% ao ano, mas que, no mercado, é possível encontrar taxas de 20%, 30%. "Sem banco público, sem subsídio do governo federal, não tem nenhum investimento em transporte."

Essas propostas são, conforme a presidente, "aventureiras" e "atrasadas". "Mas fazem parte de uma proposta aparentemente avançada, demagógica e, sobretudo, não sei a que interesse serve. Fiquem atentos, olho aberto, vocês têm de escutar essa questão, que vai afetar a vida de todos nós", afirmou. Ainda no discurso no interior de São Paulo, ela continuou dizendo que essas propostas afetarão a construção de equipamentos por todo o Brasil e os investimentos do Estado. "Não há financiamento no Brasil, acima de 10 anos, sem o governo federal subsidiar. Estou afirmando isso. Estou falando isso por um motivo, o Brasil não pode parar, o Brasil tem de continuar fazendo seus programas sociais. Não caiu do céu."

Ao final, Dilma pediu aos prefeitos que a escutavam, que ficassem atentos. "Quem vai vencer essa campanha somos nós e a verdade. Vocês, que se integram a esse 'nós'. Me ajudaram em 2010 e vão me ajudar agora."

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