Rodimar Oliveira/Divulgação
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Para deputado, Marina terá que abraçar PSB e deixar Rede

Líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque diz que Marina precisa ajustar conteúdo dos discursos ao 'legado' de Eduardo Campos

Fábio Brant, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2014 | 03h00

Para ser candidata a presidente da República pelo PSB, a ex-ministra Marina Silva deve deixar de lado o projeto de fundar um novo partido, afirma o deputado federal Beto Albuquerque (PSB-RS). Líder do PSB na Câmara, Albuquerque foi um dos integrantes da cúpula partidária mais próximos de Eduardo Campos. Ele também foi um dos principais articuladores da candidatura própria do PSB ao Palácio do Planalto.

"Ela não é mais candidata a vice. Ela pode ser candidata a presidente. Mas não pode continuar tratando da Rede Sustentabilidade", diz o deputado referindo-se à legenda que Marina Silva tenta fundar.

"Ela tem de abraçar o Partido Socialista Brasileiro, que é o partido do Eduardo. Ela tem de ser candidata pelo PSB, ela vai ter de ser presidente pelo PSB." 

Marina vem dizendo que deixará o PSB após as eleições deste ano desde que se filiou ao partido, em outubro. A Rede precisava ser formalizada na Justiça até aquele mês para poder participar desta votação. Mas a ex-ministra, segundo o TSE, não conseguiu o número de assinaturas necessário para registrar o partido. O grupo de Marina decidiu então aderir ao projeto de Campos e continuar trabalhando para criar a nova sigla.

Albuquerque avalia que o esforço pró-Rede foi válido enquanto Marina ocupava o posto de candidata a vice. Como candidata, no entanto, "ela tem de abraçar, concorrer e governar pelo PSB." "Marina é nossa primeira opção. Agora, de quarta-feira para cá, o cenário político eleitoral do Brasil mudou totalmente. Isso significa que ela também precisa compreender esse momento novo." 

Segundo o deputado, o PSB já apresentou essa questão para Marina. Esse diálogo deve se estender até quarta-feira, quando a legenda se reunirá em Brasília para discutir a participação na eleição. Nas palavras de Albuquerque, a cúpula do PSB vai cobrar de Marina mais do que o abandono da Rede. Ela terá também de ajustar o conteúdo dos discursos. Isso vale tanto para as propostas de governo, quanto para a relação com aliados.

"Eles dois se completavam, tinham divergências. Agora não temos mais o Eduardo e a Marina. Portanto, ela vai ter de dar um passo à frente para incorporar o discurso do Eduardo. Vai ter de abrir um pouco mais os seus compromissos", afirmou o deputado. "Ela é uma grande líder e tem de incorporar a visão aberta, mais ampla, que o Eduardo tinha, incluindo a de gestão sobre as coisas."

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