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Origem da espécie

Dora Kramer

Não adianta perguntar, provocar nem instigar: Eduardo Campos simplesmente muda o rumo da conversa quando o assunto ameaça resvalar para qualquer crítica ao ex-presidente Luiz Inácio da Silva.

O alvo do candidato do PSB é a presidente Dilma Rousseff e é natural que assim seja, pois é ela a oponente. Natural até certo ponto, uma vez que o ex-governador de Pernambuco aponta vários problemas do governo Dilma que são decorrentes de ações de Lula.

A começar pelo fato de ter sido ele o fiador daquela que, na frase de maior efeito dita pelo pernambucano no programa Roda Viva desta segunda-feira, "de mãe do PAC virou madrinha da inflação".

Ora, quem inventou a expressão "Mãe do PAC" e com ela vendeu a ideia de uma eficaz, austera e esplêndida governante, hoje apontada por Campos como a culpada por todos os males do Brasil? Lula. Quem deu carta branca a Dilma para fazer e acontecer no setor elétrico, agora alvo de pesadas e justificadas críticas do candidato do PSB? Lula. Na gestão de quem tiveram origem todos os problemas cujas consequências hoje a Petrobrás enfrenta? Não sejamos repetitivos.

Os candidatos são donos das próprias estratégias. Mas Eduardo Campos não faz uma homenagem à coerência quando simplesmente ignora a origem das coisas e pinta um quadro irreal, de um presidente que foi sensacional, cuja herança bendita teria sido dizimada em três anos e meio por má obra exclusiva da sucessora.

O fisiologismo, por exemplo. Muito bem abordado por Campos no programa. Disse que se eleito acabaria com metade dos ministérios, extinguiria boa parte dos milhares de cargos em comissão, isolaria as raposas da "velha política" e buscaria transformar a indignação que gera apatia na sociedade em motor da renovação.

Fácil de falar, difícil de fazer, mas não impossível. Ele mesmo citou momentos em que já foi feito no País. Não se pode desistir nem cair na descrença paralisante. Quanto a isso tem razão, mas não é do mesmo modo convincente quando tenta reescrever a história.

Segundo o ex-governador, a presidente Dilma perdeu a oportunidade de mudar a "feira livre" (expressão dele) da política. Sem querer isentá-la, pois aceitou a situação, os ministros que protagonizaram os escândalos do primeiro ano de governo foram todos impostos por Lula.

E se o caso é de oportunidade, quem mais teve a chance de iniciar mudanças no padrão além de Lula?

Não tinha maioria no Congresso, mas contava com apoio da sociedade. Estava com tudo e mais um pouco. O que fez? Não apenas aderiu às práticas viciadas como regrediu em avanços anteriores (aparelhamento das agências reguladoras, por exemplo) e aprofundou as relações com o atraso.

Nada disso é novidade para Eduardo Campos. Não está de forma alguma obrigado a admiti-lo em público se na avaliação dele atritos com o ex-presidente forem prejudiciais aos seus planos de tirar no Norte e no Nordeste a diferença de eventuais desvantagens em relação ao tucano Aécio Neves no Sul e no Sudeste.

É livre a escolha do adversário. Desde que a briga não seja com os fatos passados que distorcem o presente e não ajudam a construção de um bom futuro.

Em compensação. À primeira vista pareceu estranha, porém auspiciosa, a notícia de que o PT decidira pedir ao Tribunal Superior Eleitoral a cassação do mandato de André Vargas por infidelidade partidária.

Mas pode haver uma segunda intenção. Se perder o mandato por discordância partidária e não por quebra de decoro em decorrência do processo que corre na Câmara, o deputado Vargas poderia escapar da inelegibilidade.

Não para concorrer neste ano, porque saiu do PT (em ação combinada?) e está sem partido, mas em 2016 em tese estaria livre para disputar a eleição municipal.

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