O risco tucano em São Paulo

A disputa pelo governo paulista em 2014 pode surpreender e por fim à polarização PSDB versus PT que ocorre desde 2002, com larga vantagem para os tucanos. Três questões colaboram para a formação desse cenário.

ANÁLISE: Marco Antonio Carvalho Teixeira, cientista político, e Renato Sérgio de Lima, sociólogo, O Estado de S.Paulo

19 Abril 2014 | 02h08

A primeira advém de dificuldades enfrentadas pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB) em temas caros para os cidadãos: a escassez de água e o escândalo do cartel dos trens no momento em que o transporte coletivo tornou-se tema central na vida pública.

Na pesquisa do Instituto Datafolha de dezembro, o atual governador detinha 36% de intenções de votos na Região Metropolitana da capital ante 51% no interior, o que aponta dificuldades em áreas de grande concentração populacional.

Soma-se a isso a crise na segurança pública. O dilema nacional sobre como enfrentar o crime e gerir as polícias ganha tons ideológicos em São Paulo, reforça antagonismos e dilui conquistas importantes como a redução dos homicídios nos últimos anos.

 A segunda questão refere-se à existência de quatro candidaturas competitivas incluindo Paulo Skaf (PMDB) e Gilberto Kassab (PSD). Isso ameaça os 20 anos de sucessivos governos tucanos e 14 anos de Alckmin, caso ele seja reeleito, assim como pode tirar o PT de um possível segundo turno. No momento, Skaf é mais viável que Alexandre Padilha, o pré-candidato do PT, e terá tempo de TV semelhante ao de tucanos e petistas, dependendo do seu arco de alianças.

 Por fim, o PSDB enfrenta problemas para formar uma coligação que lhe dê mais tempo de TV e amplie o alcance do seu candidato. Em 2010, Alckmin contou com o apoio do PMDB que hoje tem candidato próprio. O PPS pode apoiar a candidatura do PSB ao governo de São Paulo, a fim de fortalecer a candidatura presidencial do ex-governador Eduardo Campos. O DEM ficou menor com a criação do PSD, e pouco tem a agregar. Nesta eleição, Skaf, Padilha e Kassab também podem se aliar contra o PSDB em um segundo turno de olho no cenário nacional.

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