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Entrevista.

'O PT virou as costas para o PMDB', afirma deputado

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BRASÍLIA

25 Maio 2014 | 02h 07

Integrante da ala rebelde da Câmara dos Deputados, o deputado Danilo Forte (PMDB-CE) é um dos que defendem o rompimento do PMDB com o projeto de reeleição da presidente Dilma Rousseff. Para o deputado, o PT "ignorou" o partido tanto nacionalmente quanto em seu Estado, onde o senador Eunício Oliveira deve disputar o governo contra um nome indicado pelos irmãos Cid e Ciro Gomes (PROS), aliados do Palácio do Planalto.

O senhor defende o rompimento do PMDB com o PT nas eleições deste ano?

O sentimento da base partidária é de que o PT, a nível nacional, ignorou o PMDB, que não pode se reduzir apenas a um tempo de televisão. O PMDB tem que participar da política pública e tem que participar do gerenciamento e aplicação do governo. Mas o que aconteceu é que o governo virou as costas para o PMDB e a base partidária é muito ressentida em relação a isso, principalmente na Câmara dos Deputados.

Vocês buscam reverter o apoio do partido ao PT na convenção nacional do PMDB?

Claro que há um grupo organizado, dentro do partido, que quer construir alternativas. Como não dá tempo de fazer uma candidatura própria, queremos ao menos expandir a independência da bancada da Câmara para o conjunto partidário. Temos condições de contribuir para outras alternativas com a segurança de que o partido poderá ampliar sua base parlamentar. E o governo que será eleito deverá ter uma conversa mais livre com o PMDB.

Hoje há maioria para não aprovar a aliança nacional com o PT?

Não, a maioria é governista. Mas as informações que temos é que, com a indefinição das composições regionais, tem se fortalecido muito a posição pela busca da independência para um projeto partidário. Em 1998 e em 2006 o PMDB não participou da chapa presidencial, e nas duas eleições aumentou sua base parlamentar. Não é um fato novo na história do PMDB, fortalece as coligações regionais. Agora você não pode estar coligado num Estado com o PSDB e pedir voto nacionalmente para o PT.

Como o senhor avalia a relação com o PT no Ceará?

No Ceará o senador Eunício (Oliveira) é a maior liderança do partido e está numa posição muito confortável. E não percebemos nenhuma sinalização do grupo majoritário do PT ao PMDB. O grupo majoritário do PT esteve ao lado do governador Cid (Gomes).

A manutenção da aliança nacional beneficia só a cúpula do PMDB?

Existe um acomodamento por parte da cúpula partidária e pelo Senado. Estamos percebendo que o projeto, na forma como está sendo conduzido, não tem condições de fazer as mudanças necessárias para o Brasil. Não pode dar ouvidos apenas aos que estão acomodados no governo. O partido perde a identidade e a autonomia. Fica igual a comercial de televisão. / R.D.C.

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