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'Nova política' esbarra em problema bem tradicional

ANÁLISE: Iuri Pitta - O Estado de S.Paulo

14 Janeiro 2014 | 02h 05

Conflitos são inerentes à política, e não se podia esperar nada diferente da aliança entre o PSB de Eduardo Campos - partido que mais cresceu no País na última década e de perfil mais governista entre as principais siglas - e a Rede de Marina Silva - uma mobilização que pretende arejar o cenário eleitoral, mesmo acoplada a uma legenda com práticas bem tradicionais. Seja qual for a solução para as questões regionais, ela será vendida pelo governador de Pernambuco e pela ex-ministra com a mesma roupagem: um processo "novo" e "diferente", ainda que os objetivos sejam os mais clássicos dos agentes políticos.

Marina insiste em lançar a governador nomes de sua confiança em função dos compromissos assumidos no ano passado, quando articulou a criação da Rede, barrada pela Justiça Eleitoral. Campos fez seu PSB crescer a partir da adesão a gestões estaduais e municipais na última década e hoje pode ter como prioridade consolidar seu nome como uma alternativa a PT e PSDB, polarização que domina o País há duas décadas. Por ora, a principal beneficiária do desgaste dessa disputa foi justamente a ex-ministra e hoje parceira do governador do PSB.

Pesquisas e estudos encomendados por partidos políticos apontam que mais da metade dos 20 milhões de votos obtidos por Marina em 2010 veio de descontentes com tucanos e petistas - ou seja, eleitores dispostos a ouvir um discurso alternativo, uma voz nova no palanque. De lá para cá, o mais provável é que essa parcela do eleitorado tenha crescido, ainda mais depois das manifestações de junho.

Sendo assim, ainda faz sentido para o PSB de Campos manter seu perfil adesista nos Estados, ou o discurso da novidade se tornou prioritário? O partido tem características que lembram o PMDB - governismo e lideranças regionais independentes -, com a diferença de ter um presidente cujo objetivo é se colocar como opção para o Palácio do Planalto. A postura de Marina pelo rompimento com governos como o do tucano Geraldo Alckmin, em São Paulo, vem a calhar para Campos. O discurso de que assim se faz a "nova política" estará dado, ainda que se pratique o velho enquadramento partidário em busca do poder.

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