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‘Nosso adversário é o governador do Estado’, diz Padilha

Ricardo Galhardo, Fernando Gallo - O Estado de S. Paulo

14 Junho 2014 | 19h 36

Pré-candidato petista contesta crença de Paulo Skaf, do PMDB, de que a polarização entre PT e PSDB em SP foi quebrada

Com intenção de voto que varia de 3% a 4%, o pré-candidato do PT ao governo paulista, Alexandre Padilha, diz que vai lutar pelo 2.º turno com foco em Geraldo Alckmin (PSDB), que tentará reeleição. “Tenho um adversário só, que é o atual governador. Eu vou ficar muito feliz de ter o apoio do doutor Paulo Skaf no 2.º turno”, diz, em resposta a Paulo Skaf, candidato peemedebista, para quem a nova polarização no Estado ocorre entre PSDB e PMDB.

Padilha, que será confirmado candidato neste domingo em convenção, promete levar ao palanque o prefeito Fernando Haddad – o colega amarga alto índice de rejeição. Também mostra seu lado pragmático. “Sou petista desde adolescente, mas não acho que o PT é dono da verdade.”

Por que mudar o Estado?

Depois de 20 anos governando o Estado de São Paulo, o PSDB perdeu a força, a energia.

O sr. fala de 20 anos de PSDB, mas o PT já esta há 12 em Brasília, irá para 16 se a presidente Dilma for reeleita...

A diferença é que o PT fez as mudanças necessárias no governo federal. O PT é o partido da mudança. Mudou o País, transformou. E São Paulo precisa mudar. Quando falo mudar, é mudar completamente o padrão de gestão. Até tirar a sede do governo de dentro do Palácio do Morumbi, colocar em outro lugar mais próximo do povo. O governador de São Paulo não é um monarca, não é um rei para estar encastelado no Palácio.

O sr. já rodou mais de 110 cidades com a caravana do PT e continua com 3% de intenção de votos. O que deu errado?

Deu certo. A caravana não tinha nenhuma relação com ampliar porcentual de pesquisa, exposição. Se tivesse, ficava na capital, na região metropolitana, nas cidades maiores.

Quais são suas duas principais propostas de campanha?

O centro do projeto de desenvolvimento está na educação. Queremos acabar com a aprovação automática. Pegar cada uma das universidades públicas estaduais, as federais, e, em parcerias com elas, criar academias para professores. Precisamos fazer com que o metrô seja de fato metropolitano, ultrapasse o limite da cidade de São Paulo, chegue até Guarulhos, Taboão da Serra, ABC.

A polícia do Estado é violenta?

Sou contra generalizar. Tem policiais extremamente qualificados, podem prestar um grande serviço. O que não pode existir é qualquer tipo de abuso.

É a favor da desmilitarização?

É tradição nossa ter dois perfis de polícia. Eu não faria um debate de mudança dessa organização da polícia, mas sim de integração operacional.

Paulo Skaf está preparado para ser governador?

Eu estou preparado. Respeito muito as outras candidaturas. Tenho um adversário só, que é o atual governador, esse é o adversário do PT na disputa eleitoral, é essa a polarização que vamos fazer do começo ao fim. E eu vou ficar muito feliz de ter o apoio do doutor Paulo Skaf no 2.º turno porque estaremos no segundo turno contra o governador Alckmin.

Skaf trata o PT como adversário e diz que existe uma nova polarização no Estado entre o PMDB e o PSDB. O prefeito Fernando Haddad, que está mal avaliado, e a presidente Dilma enfrentam resistência no Estado. Isso pode ser um empecilho?

Tem alguns temas que o prefeito Haddad tocou aqui na capital e que serão muito positivos na eleição estadual. No primeiro ano de governo, já cumpriu 36% da meta de corredores de ônibus e implantou o bilhete único mensal. Isso vai reforçar a nossa proposta de implantar o bilhete único metropolitano. Reforça a condição que o PT tem de executar mais rapidamente as obras do metrô e dos trens da CPTM, em contraposição à lentidão do PSDB. Haddad teve a coragem de combater a corrupção, acabar com a máfia do ISS. Isso vai nos permitir fazer o debate sobre como se enfrenta a corrupção no Estado. O PT tem diferenças em relação ao PSDB sobre como se enfrenta a corrupção. São 15 anos de um escândalo do metrô, e só começou a ser apurado após autoridades internacionais, ou o Cade, a Polícia Federal, começarem a apurar.

Paulo Maluf foi competente como governador e prefeito?

Eu era oposição, tanto (com Maluf) como prefeito (ou) como governador. A minha opinião era muito clara. Agora, o PP apoia o governo do presidente Lula desde 2005. Sempre foi um aliado fiel do presidente Lula. O PP é que aderiu ao projeto e já justificou o porquê disso.

O deputado Luiz Moura deve ser expulso do PT?

O PT fez o que podia ser feito e rapidamente. Decidiu pela suspensão e depois instala o processo de comissão de ética para ouvir as alegações daquele militante. Mas com a suspensão o PT deu uma mensagem muito clara de que será sempre implacável. Agora, nessa história o que mais me impressiona é o seguinte: foi dito que há uma operação da Polícia Civil que identificou membros do PCC. Eles foram presos? Qual o resultado?

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