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No Senado, Renan assume papel de avalista do governo

DÉBORA ÁLVARES / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

02 Março 2014 | 02h 10

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), virou o principal avalista, no Legislativo, da governabilidade da gestão Dilma Rousseff e tem atuado como contraponto, neste tema, a seu correligionário Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), presidente da Câmara.

No episódio mais recente que atesta este movimento, Alves liderou a formação de um bloco parlamentar para atuar de modo independente do Planalto. Questionado, Renan rechaçou a ideia.

A situação distinta mostra que as Casas desempenham papel inverso em relação ao vivido no governo Luiz Inácio Lula da Silva. Àquela época, as maiores turbulências ocorriam no Senado, que impôs a Lula sua maior derrota legislativa: a derrubada da CPMF, em dezembro de 2007.

Na era Dilma, cabe ao Senado evitar que o Planalto some derrotas no Congresso. São os senadores, por exemplo, que têm mantido, contra interesses da Câmara, os vetos presidenciais de Dilma.

Renan teve papel decisivo de fazer valer a vontade do governo ao produto final entregue pelo Senado. Tudo para se vender a Dilma como interlocutor eficiente no Congresso e no PMDB e, em troca, manter espaços no governo e capitalizar politicamente para eleger o filho, deputado Renan Filho (PMDB-AL), governador de Alagoas.

O plano integra o pacote de metas de Renan nesta sua segunda passagem pela presidência do Senado. O peemedebista tem como maior objetivo se reerguer politicamente e limpar a imagem deixada quando ocupou o cargo pela primeira vez, entre 2005 e 2007. Ele renunciou após suspeitas de corrupção.

No entanto, o senador mantém hábitos antigos. "Uma real mudança seria romper com costumes, tirar a verba compensatória, desinchar o Legislativo, não só no que diz respeito ao quadro de pessoal, mas também de parlamentares. Mudança que exigirá uma ousadia à qual nenhum presidente da Casa ainda se atreveu", afirmou um aliado que palpita nas articulações de Renan.

O senador também não mudou sua forma de negociar com o governo. Assim como fez com Lula, ele também se vale da barganha para conseguir emplacar seus pleitos com Dilma.

Na atuação mais aberta que fez neste sentido, em outubro, Renan pressionou o Executivo com o projeto que confere autonomia formal ao Banco Central. A proposta, desinteressante para o Planalto, serviu para que ele abrisse um canal de conversas com Dilma sobre o apoio à candidatura do filho.

A barganha também ocorre com boa parte dos senadores .O poder de Renan é atribuído ao fato de ele conhecer os "segredos mais obscuros" de todos os seus pares, segundo relata uma fonte. Tanto que houve uma aproximação sua com a oposição - que, em 2007, havia sido vital para sua queda.

Hoje, a guerra interna de Renan é outra: com os servidores. Ao longo de 2013, ele tentou implementar grandes mudanças administrativas - e estas afetaram diretamente os servidores, que têm cada dia mais antipatia por ele. Renan diminuiu o horário de trabalho, que antes era de sete horas com uma de almoço para seis horas corridas, restringiu o pagamento de horas extras mensais e cortou funções de chefia e assessoramento.

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