No DF e no Rio, comissões ainda não saíram do papel

Criada há duas semanas pela Câmara Legislativa, a CPI da Arapongagem pretende investigar um suposto esquema de espionagem ilegal montado no Distrito Federal para bisbilhotar autoridades, jornalistas e políticos.

VANNILDO MENDES / BRASÍLIA, LUCIANA NUNES LEAL / RIO, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h09

A CPI é um subproduto do escândalo envolvendo o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira. A Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, identificou integrantes do esquema do empresário em atividades de arapongagem no DF.

Cerca de 80 pessoas teriam sido alvo de grampo telefônico, interceptação de e-mails e violação de sigilos bancário e fiscal. Até quarta-feira, os partidos deverão indicar os nomes dos membros da comissão.

Entre as vítimas de espionagem estão o deputado federal Fernando Francischini (PSDB-PR), o jornalista Edson Sombra, que assina um blog crítico ao governo, e o vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB), que pediu explicações à justiça e ao Ministério Público.

Entre os prováveis convocados estão o chefe da Casa Militar, coronel Rogério Leão, acusado de comandar um esquema de espionagem dentro do governo local, e o delegado aposentado Celso Ferro, além do ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias dos Santos, o Dadá, preso na Operação Monte Carlo. Os três prestaram serviços de inteligência na campanha do governador Agnelo Queiroz (PT).

Leão alega que só faz investigações dentro da lei e Ferro nega prestar serviços ilegais. O governo ainda tenta esvaziar a comissão e barrar sua instalação, prevista para a próxima semana.

Duas frentes. No Rio, o deputado Marcelo Freixo (PSOL) não conseguiu ir além de 14 das 24 assinaturas necessárias para protocolar o pedido de abertura da CPI da Delta e investigar os contratos da construtora com o governo do Estado. Já a deputada Clarissa Garotinho (PR) também não alcançou o número mínimo necessário de adesões para outra CPI, a que investigaria as viagens do governador Sérgio Cabral (PMDB).

Há uma semana, o deputado Anthony Garotinho (PR) publica diariamente fotos e vídeos de viagens de Cabral e Fernando Cavendish, dono da Delta, em companhia de suas mulheres. Em uma delas, os dois casais e outros amigos jantam em um sofisticado restaurante em Mônaco. Outras imagens mostram Cabral, Cavendish e várias autoridades e empresários em uma festa em Paris. O governador e o empresário dizem que são amigos, mas que nunca misturaram interesses públicos e privados.

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