Na CPI, Dadá é orientado a ficar calado

Araponga considerado membro do grupo de Cachoeira deve seguir estratégia do contraventor

ALANA RIZZO , FÁBIO FABRINI / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

24 Maio 2012 | 03h07

Principal personagem a depor hoje na CPI do Cachoeira, o araponga Idalberto Matias Araújo, o Dadá, foi orientado a repetir a estratégia usada na terça-feira pelo contraventor Carlinhos Cachoeira, mantendo silêncio diante de deputados e senadores. Segundo advogados, ele só falará em sindicâncias internas, que apuram sua participação em corrupção de funcionários públicos em troca de vantagens para a organização do contraventor.

O advogado Leonardo Gagno adianta que, em depoimento à Corregedoria do DF sobre suposto pagamento de propina a Cláudio Monteiro, ex-chefe de gabinete do governador do DF, Agnelo Queiroz (PT), Dadá sustentará que não houve pagamento, embora, nas interceptações da Polícia Federal, oriente o ex-diretor da Delta no Centro-Oeste Cláudio Abreu a fazê-lo. "Dá o dinheiro para o cara", sugeriu, em conversa na qual combinam dar R$ 20 mil ao servidor, fora R$ 5 mil por mês.

O advogado diz que a mesma tática será usada hoje pelo araponga Jairo Martins. "Os dois usarão o direito constitucional de não se autoincriminar." Gagno pede anulação das gravações da Monte Carlo, alegando que não foram obtidas legalmente. "Todas as perguntas terão origem nas interceptações. Eles não podem responder sobre aquilo que estamos pedindo a nulidade."

Gagno conversou ontem com Dadá na prisão e disse que ele está tranquilo, atribuindo o fato à experiência do cliente em CPIs. Dadá foi investigado pela CPI das escutas ilegais, foi indiciado, mas não punido. Outro a ser ouvido hoje, o ex-vereador em Goiânia Wladimir Garcez, que seria o elo da quadrilha com o governo de Goiás, pouco contribuiu com a polícia. Interrogado na ocasião, disse ser representante comercial da Delta e afirmou que em Goiás não há jogo do bicho.

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