1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Moderada, oposição evita embate em audiência

Débora Álvares e Eduardo Bresciani / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

16 Abril 2014 | 03h 44

Senadores poupam Graça Foster e dirigem críticas a discurso de Dilma de anteontem

Com questionamentos técnicos pouco incisivos e falas precedidas de elogios à presidente da Petrobrás, Graça Foster, a oposição evitou ontem um confronto aberto com a executiva e optou pela moderação na audiência para ouvi-la sobre irregularidades na estatal.

O sinal mais evidente foi a ausência de Aécio Neves (PSDB-MG) na sessão do Senado. Pré-candidato ao Planalto contra a presidente Dilma Rousseff, ele tem feito críticas à gestão da estatal na era petista e é autor de um pedido de uma CPI sobre o caso.

Segundo aliados, a ausência se deu devido ao atraso de se seu voo do Rio para Brasília. Ainda assim, quando chegou, consultou correligionários e optou por ir direto à reunião com a ministra do Supremo Tribunal Federal Rosa Weber, com quem tratou do mandado de segurança que pede a instalação de uma CPI que investigue apenas a Petrobrás, e não o cartel de trens em São Paulo, Estado governado pelo PSDB, como querem os governistas. Graça ainda estava no Senado quando Aécio estava no STF.

Depois, o tucano disse que não compareceu por uma estratégia política: desconstruir o discurso da presidente Dilma Rousseff de que a oposição faz "campanha política" contra a estatal. Ao justificar a decisão de não participar, disse que o "foco" não pode ser direcionado à presidente da estatal. "Quero segurar esse debate para a hora certa para poder debater com a Dilma nas eleições", disse ao deixar o plenário do Senado. Argumentou que estava bem representado na audiência.

Durante as mais de seis horas com Graça Foster, os senadores da oposição preferiram utilizar parte dos pouco mais de cinco minutos a que cada senador teve direito para rebater as afirmações de anteontem de Dilma.

Em visita ao Porto de Suape, em Pernambuco, a presidente acusou a oposição usar as denúncias contra a estatal para fazer campanha. "Não ouvirei calada a campanha dos que, por proveito político, ferem a imagem da empresa", disse ela.

O primeiro a rebater as afirmações de Dilma foi o senador Rodrigo Rollemberg (PSB-DF), principal nome do pré-candidato Eduardo Campos (PSB) no Congresso: "Não foi a oposição que definiu a política de preços da Petrobrás; não é a oposição que, há 12 anos, administra a Petrobrás, que fez derreter o preço dessa empresa no mercado internacional; não foi a oposição que nomeou Paulo Roberto (Costa) como diretor dessa empresa".

O mesmo fez Alvaro Dias (PSDB-PR), aliado de Aécio. "É oportuno dizer: ao contrário do que asseverou a presidente Dilma, aqui não se encontram na oposição os que desejam destruir a Petrobrás, e sim aqueles que desejam salvá-la", afirmou.

O tom duro em relação a Dilma não se estendeu à presidente da estatal. O presidente do DEM, José Agripino (RN), exaltou a "competência" e a "seriedade" de Graça Foster, enquanto Cássio Cunha Lima (PB), um dos coordenadores da campanha nacional do PSDB, destacou a "lisura" da executiva. "A senhora é uma grande brasileira."

Os questionamentos focaram o negócio de Pasadena, fechado quando Graça ainda não era presidente da Petrobrás. O senador Pedro Taques (PDT-MT) afirmou que a estatal teria agido como se fosse uma "quitanda" e Alvaro Dias disse que a empresa foi levada para o "abismo". Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) foi mais duro ao questionar o destino dado a Nestor Cerveró, o executivo apontado como autor do parecer tido como "incompleto". Ele destacou o fato de ele ter ficado na BR Distribuidora até o mês passado. "Permaneceu porque tem as costas quentes."

  • Tags: