Melhor conselho a Aécio é 'Rivotril e boa sorte'

A convenção tucana apresenta-se como renovação, em seus quadros e no discurso, com um olho em 2014. Aécio Neves consolida sua liderança após sucessivas derrotas nacionais das lideranças paulistas. Herda uma história de sucessos, com FHC na Presidência e com tucanos à frente do governo paulista e de Minas. É uma história respeitável. Escondida por um bom tempo, por erro estratégico de campanhas eleitorais, mas que agora, tudo indica, será resgatada, com força total para a disputa com seu maior adversário.

Marcus Figueiredo *,

19 Maio 2013 | 02h02

A um ano e meio da eleição, há tempo suficiente para o PSDB acertar seus ponteiros internos e fazer a ponte entre seu passado e o futuro a ser oferecido à população. Embora o tempo esteja a favor de Aécio, este não será um tempo tranquilo, já que a "célula tronco" paulista terá o mesmo tempo para cuidar de si.

Fernando Henrique Cardoso já assinalou que é tempo de mudança e patrocina a candidatura de Aécio. Mas o governador Geraldo Alckmin já declarou em duas oportunidades que ainda é cedo para lançar candidaturas (!?). José Serra, no mesmo tom, acenou para a possibilidade de usar o novo MD para garantir seus propósitos, o que seria suicídio político de um dos mais competentes quadros da história política.

O "DNA paulista-serrista", com Alberto Goldman (primeiro-vice) e Mendes Thame (Secretaria-Geral), estará na estrutura política da nova direção do partido e como tal fará política nesta direção. Com esta composição, Aécio pode ter, temporariamente, neutralizado a saída de Serra do ninho tucano, mas não se pode esquecer que Serra, infelizmente, é Serra. Aécio precisará de um esforço integrado na construção de palanques nos Estados e de alianças para ganhar tempo na TV. Ao mesmo tempo, coordenará as montagens das nominatas dos candidatos a deputados estadual e federal e ao Senado, peças importantes na máquina da campanha. No esforço nacional da direção, todos trabalham na mesma direção, com o mesmo empenho?

Finalmente, diante da história recente, fica a pergunta: se Serra não for para o MD ou não se aliar a Eduardo Campos, será candidato a deputado federal ou ao Senado? Aécio terá muito tempo para dormir com essas turbulências. O melhor conselho no momento é Rivotril e boa sorte.

* É PROFESSOR E PESQUISADOR DO IESP/UERJ.

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