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Eleições 2014

Marina é lançada candidata, dá sinais ao mercado e amplia poderes no PSB

JOÃO DOMINGOS, DAIENE CARDOSO, ERICH DECAT, NIVALDO SOUZA, RICARDO DELLA COLETTA e ISADORA PERON - O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2014 | 23h 35

Nos bastidores, ex-ministra do meio Ambiente garante maior influência na coordenação da campanha e na arrecadação

A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva foi oficializada nesta quarta-feira como candidata do PSB à Presidência da República. Nos bastidores, ampliou seu poder sobre a campanha - terá mais controle, por exemplo, sobre o caixa do comitê. Em público, deu sinais ao mercado a fim de afastar temores de que uma eventual vitória sua seja uma aventura, principalmente na área econômica.

Marina defendeu o tripé econômico de metas de inflação, câmbio flutuante e responsabilidade fiscal. Segundo ela, desde 2010 essa é sua posição. Também se disse favorável à autonomia do Banco Central e lembrou que Eduardo Campos, morto na semana passada em um acidente aéreo, advogava que essa autonomia deveria ser formal. Ela disse que o tema - se a autonomia precisaria ser formal ou não - está em discussão pela equipe do programa de governo e que sua decisão virá após posicionamento dessa área. “A autonomia do BC nunca foi um problema entre nós.”

O acordo interno do PSB foi costurado numa longa reunião realizada quarta-feira na Fundação João Mangabeira, em Brasília. De um lado, os integrantes do partido. Do outro, a Rede, grupo de Marina que se alojou no PSB no fim do ano passado após a Justiça Eleitoral barrar sua existência como legenda por falta de assinaturas válidas.

Ed Ferreira/Estadão
Marina avisou que não fará eventos conjuntos com petistas e tucanos

No acerto, a coordenação financeira da campanha foi alterada. O coordenador da Rede, Bazileu Margarido, vai comandar o caixa ao lado de Dalvino Franca, do PSB. No lugar de Bazileu, que integrava a chefia executiva da campanha, assume o ex-deputado federal e porta-voz da Rede, Walter Feldman. Com isso, Marina coloca pessoas de seu grupo em áreas-chave da campanha.

Outra exigência foi sobre os palanques estaduais. Marina aceitou apenas fazer campanha para os partidos da coligação integrada por PSB, PPS, PHS, PRP e PPL. Afastou, portanto, sua presença em palanques articulados por Campos com os tucanos Geraldo Alckmin, candidato em São Paulo, e Beto Richa, candidato no Paraná. Também incluiu na lista de políticos com quem não fará campanha o tucano Paulo Bauer, candidato em Santa Catarina, e o petista Lindbergh Farias, candidato no Rio.

O objetivo de Marina é manter em pé o discurso de “nova política” que adotou desde que iniciou a tentativa de criar a Rede.

Nesses locais, o PSB poderá fazer campanha conjunta, mas sem a presença de Marina. Os candidatos a deputado, porém, poderão utilizar sua imagem e fazer campanha para ela.

O governador de Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), disse não haver desconforto no partido com essa opção. “Ela poderá não ir em um ou outro palanque, mas o partido estará presente.”

Um primeiro ato de campanha de Marina deverá ocorrer no próximo sábado no Recife, terra de Campos. O programa eleitoral de rádio e TV do PSB que vai ao ar hoje vai mostrar cenas do evento de lançamento da candidata realizado na quarta-feira à noite.

Consistência. O vice de Marina, o líder do PSB na Câmara, Beto Albuquerque, também foi confirmado no evento em Brasília, realizado na sede nacional do partido, na Asa Norte. O principal desafio da dupla agora é manter a consistência da aliança, a boa pontuação nas pesquisas - ela já aparece em segundo lugar, com cerca de 20% dos votos.

O discurso voltado ao mercado foi o primeiro passo da estratégia. Mesmo emocionada ao falar de Campos e lembrar dos dez meses que passou ao seu lado como candidata a vice, fez questão de assumir o discurso do antecessor no posto.

Repetiu, por exemplo, o mantra do ex-governador sobre a política energética do governo Dilma Rousseff. “É lamentável que o Brasil tenha, desde 2002, a ameaça do apagão. E digo lamentável, porque temos há 12 anos uma mesma pessoa à frente da política energética do nosso país, inicialmente como ministra de Minas e Energia, depois da Casa Civil e, agora, como presidente”, afirmou. “Essa política energética está custando caro ao povo brasileiro.”

Marina considerou que o uso de usinas termelétricas para compensar a baixa dos reservatórios de hidrelétricas em períodos de seca, adotado atualmente, deve ser acionado para “eventualidades extremas” e não como componente fixo do grid energético, como é feito há cerca de um ano. “Infelizmente, estamos sujando a matriz energética brasileira. Os arremedos que estão sendo feitos com as térmicas para os momentos de baixa dos reservatórios têm de ser reduzidos.”

Apesar da crítica, ela reconheceu que é difícil substituir neste momento as térmicas - que produzem uma energia suja, que polui o ar - e que, caso eleita, vai “recorrer às fontes que já existem para fazer a complementação” representada pela baixa na produção das hidrelétricas.

Como ministra do Meio Ambiente do governo Luiz Inácio Lula da Silva, Marina foi crítica também das hidrelétricas, em razão de seus impactos ambientais. Ela teve embates com Dilma, também integrante do governo, principalmente por causa da construção da usina de Belo Monte.

Código Florestal. A ex-ministra afirmou ainda que o Código Florestal, aprovado em 2012, precisa ser cumprido, a exemplo da exigência do Cadastro Ambiental Rural (CAR), porque é uma norma legal. “Infelizmente, isso não está sendo feito com a urgência e com a velocidade que precisamos”, disse. Durante a tramitação da proposta do novo Código, o grupo de Marina criticou a proposta.

Por esses e outros motivos, a principal resistência à candidatura da ex-ministra está no agronegócio.

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