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Eleições 2014

Marina critica política do governo para etanol em feira com usineiros

Gustavo Porto - Agência Estado

28 Agosto 2014 | 17h 43

Candidata do PSB faz aceno a empresários do sucroalcooleiro e diz que setor será recuperado

Atualizada às 21h49

SERTÃOZINHO (SP) - A candidata a presidente da República Marina Silva (PSB) fez nesta quinta-feira, 28, defesa enfática pela recuperação do etanol como combustível e criticou a política adotada pelo governo de sua adversária, Dilma Rousseff (PT), para o setor sucroenergético. “O setor (de etanol) será recuperado porque vocês (empresários) se ajustaram e acreditaram no governo”, disse a candidata, para uma plateia de cerca de 200 empresários e representantes da cadeia produtora de açúcar e etanol na Feira Internacional de Tecnologia Sucroenergética (Fenasucro), em Sertãozinho (SP).

A candidata afirmou que as “políticas equivocadas do atual governo”, que priorizaram a gasolina ao etanol, foram responsáveis pelo “fechamento de mais de 70 usinas e por outras 40 que estão em recuperação judicial, com milhares de empregos perdidos”. Ela ironizou ainda os discursos dos representantes do governo em relação à atuação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como embaixador do etanol no primeiro governo dele. “Se (o atual governo) tivesse feito menos propaganda e mais governança, hoje não estaria a essa situação”, disse.

Marina citou a mecanização da colheita da cana, que pode contribuir para o fim da colheita manual, e sugeriu treinamento de ex-cortadores para outras funções. A candidata considerou o petróleo ainda como um mal necessário, mas defendeu a saída da “idade do petróleo” com a busca de outras fontes de suprimento de energia, como o etanol. “Assumo compromisso que essa é fonte de geração de energia e deve ser estimulada.”

Marina lembrou ainda da época em que fora ministra e procurou minimizar os embates que teve com o ex-ministro da Agricultura Roberto Rodrigues, hoje presidente do conselho deliberativo da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), principal entidade do setor sucroenergético. Segundo ela, quando ambos eram ministros, foi feito um esforço para desmistificar, com o zoneamento da cana-de-açúcar, a tese de que havia produção de álcool na Amazônia.

A candidata fez críticas ao ex-presidente Lula, de quem foi ministra do Meio Ambiente, em relação à política adotada por ele para os biocombustíveis. “Lula falava de forma empolgada em relação ao etanol e ao biodiesel, mas pelo jeito era apenas discurso. É preciso corrigir as políticas equivocadas que incentivaram o uso de combustíveis fósseis em vez dos renováveis”.

Sonho. Sem citar nomes, a ex-ministra do Meio Ambiente aproveitou a ocasião para responder às afirmações de seu concorrente Aécio Neves, candidato do PSDB à Presidência, que considerou temerário o governo de amadores e inexperientes, numa referência a Marina, e ainda Dilma, que ontem afirmou que a distinção entre bons e maus pregada pela candidata do PSB é complicada e simplista. 

“Muita gente no Brasil diz que não podemos ser governados por amadores do sonho. Ou apostam no sonho, ou vamos continuar nas mãos dos profissionais, dos que fazem escolhas incorretas”, disse Marina.

Ela ratificou que escolherá os melhores quadros para compor seu governo, caso seja eleita. “A escolha tem de ser feita por essa gente que tem o sonho amador.” Marina comparou a desconfiança que existe em relação ao seu nome às situações enfrentadas pelos ex-presidentes Lula e Fernando Henrique Cardoso. “Diziam que o Lula não tinha capacidade e que o Fernando Henrique era acadêmico demais”, disse.

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