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Eleições 2014

Marina afirma que seu programa de governo vai 'valorizar as instituições'

FAUSTO MACEDO - O Estado de S.Paulo

25 Agosto 2014 | 02h 01

Candidata do PSB à Presidência sugere que texto da campanha com defesa do 'controle social' da atividade política será alterado

São Paulo - Dividindo o segundo lugar nas pesquisas de intenção de votos com o tucano Aécio Neves e com chances reais de chegar ao segundo turno da corrida presidencial, a candidata do PSB ao Planalto, Marina Silva, afirmou ontem em São Paulo que o seu programa de governo, a ser lançado na sexta-feira, pretende "valorizar as instituições".

"O nosso documento fala em aprofundar a democracia. Aprofundar a democracia significa a valorização das instituições e que essas instituições e as representações políticas possam estar ligadas à sociedade brasileira", disse a ex-ministra do Meio Ambiente, que durante duas horas fez campanha no Centro de Tradições Nordestinas.

A declaração foi uma reação à reportagem publicada ontem pelo Estado que revelou o conteúdo do programa em discussão da campanha.

O texto preliminar da candidatura do PSB fala na criação de mecanismos para ampliar o "controle social" da atividade política. Diz que é necessário criar "instâncias próprias para o exercício de pressão, supervisão, intervenção, reclamo e responsabilização".

Conselhos. O texto defende a Política Nacional de Participação Social, instituída por decreto pela presidente Dilma Rousseff. O decreto orienta órgãos do governo federal a criar conselhos com participação da sociedade civil e movimentos sociais a fim de acompanhar a criação e execução de políticas públicas. A medida sofreu resistência no Congresso. Os críticos veem na iniciativa uma maneira de "aparelhar o Estado" e tirar prerrogativas de fiscalização dos parlamentares.

Marina, quando era vice de Eduardo Campos, morto no dia 13 em um acidente aéreo, chegou a defender publicamente o decreto de Dilma. Ontem, evitou dizer se a defesa do decreto será de fato colocada no papel. "O documento a que tiveram acesso não é o documento que eu e o Eduardo revisamos. Então, não posso falar de coisas que não são do documento oficial da campanha", afirmou a candidata do PSB.

Já o líder do PSB na Câmara dos Deputados e candidato a vice, Beto Albuquerque, foi mais explícito e sugeriu uma alteração de posicionamento entre a Marina candidata a vice e à Presidência. "A proposta de Dilma é diferente. Eu sou deputado e você não pode me dizer que vai ter controle social sem me dizer quem vai controlar o eleito, isso é muito perigoso."

Marina fez a defesa pública da "valorização das instituições" num contexto em que tenta dissipar desconfianças em relação a um eventual governo seu.

Na semana passada, integrantes de sua campanha disseram abertamente serem a favor da autonomia do Banco Central, uma proposta defendida por Campos. Ao sanar dúvidas sobre o que pensava Marina, buscou-se dar sinais ao mercado financeiro. No sábado, ela também acenou à classe política, dizendo que, se eleita, governará com setores do PT e do PSDB. Chegou a afirmar que espera o apoio, inclusive, do tucano José Serra, caso ele seja eleito para o Senado.

A estratégia busca afastar temores a respeito de como ela governaria sem o apoio dos políticos tradicionais.

Críticas. Em nota ao Estado, Maurício Rands e Neca Setubal, coordenadores do Programa de Governo da Coligação Unidos pelo Brasil, informaram que, em meados de julho, várias propostas contidas no documento prévio do programa "receberam críticas do então candidato a presidente, Eduardo Campos, e de sua vice, Marina Silva".

A nota diz que a Coordenação "reformulou o conteúdo do capítulo 'Estado e Democracia de Alta Intensidade' para incorporar a crítica feita pelos candidatos justamente para impedir qualquer interpretação errônea sobre o compromisso da Coligação com os marcos constitucionais que regem as relações da sociedade com o Estado brasileiro".

Os coordenadores alegam que "na mesma época, por determinação do próprio Eduardo e da própria Marina, foi descartada a edição de qualquer sumário executivo do Programa de Governo, dada a complexidade e a profundidade com que as propostas são tratadas no documento completo, que será apresentado dia 29 de agosto".

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