Daniel Teixeira/AE
Daniel Teixeira/AE

'Marcha dos Moleques' coloca Limeira no primeiro time

Jovens fizeram campanha em prol do título de eleitor e município poderá ter dois turnos pela 1ª vez

Bruno Lupion, do estadão.com.br,

01 Julho 2012 | 03h02

LIMEIRA - O colégio eleitoral de Limeira (SP), última colocada entre as cidades recém-promovidas ao time do segundo turno, vinha encolhendo - em maio de 2011, somava 194.230 pessoas, 1.350 a menos que um ano antes. Foi quando um grupo de jovens filiados a seis partidos diferentes decidiu sair em busca dos cerca de 6 mil eleitores que faltavam para vencer a barreira dos dois turnos.

O grupo desenvolveu um projeto de palestras e foi a 50 escolas do município, onde explicava a origem grega do termo política, perguntava sobre os problemas urbanos enfrentados no dia a dia e separava os alunos em turmas para debater projetos de lei e simular o funcionamento de uma Câmara Municipal. Ao final, com um notebook em mãos, eles sugeriam aos maiores de 16 anos que entrassem no site da Justiça Eleitoral e fizessem o cadastro para tirar seu título de eleitor. Em maio passado, o esforço mostrou resultado: Limeira alcançou 201.405 eleitores.

Fernanda Moreira, de 24 anos, presidente do PDT Jovem municipal e uma das líderes do movimento, comemorou. Para ela, o segundo turno eleva a qualidade da discussão política. "É mais fácil debater as propostas entre os dois finalistas. No primeiro turno, os candidatos ficam se atacando e dizendo quem são, e não o que pensam para a cidade", diz.

A corrida por eleitores se beneficiou da cassação, em fevereiro, do ex-prefeito Silvio Félix (PDT), envolvido em denúncias que levaram à prisão de sua mulher e de seus dois filhos. Uma investigação do Ministério Público Estadual revelou que sua família acumulava pelo menos 50 imóveis comprados com recursos de um suposto esquema de corrupção. O escândalo despertou o senso político de muitos estudantes e deflagrou protestos, que ficaram conhecidos como a "Marcha dos Moleques". Das passeatas para o desejo de tirar o título de eleitor, foi um pulo.

"O grande segredo foi não partidarizar, mas sim politizar", diz Pietro Parronchi, presidente da juventude municipal do PR. Ele relata que o arco suprapartidário que uniu PDT, PR, PSB, PT, PSD e PSOL virou referência na 2ª Conferência Nacional de Juventude, em 2011. "Nosso problema é comum: o pouco interesse dos jovens pela política. Nada mais natural nos unirmos para enfrentar isso", disse.

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