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Maioria absoluta não está nem aí para a eleição

ANÁLISE: José Roberto de Toledo - O Estado de S.Paulo

21 Março 2014 | 02h 00

A vantagem de Dilma Rousseff sobre seus adversários se sustenta, entre outros motivos, porque a maioria absoluta dos eleitores (56%) tem pouco ou nenhum interesse pelas eleições. O voto ainda é um assunto que excita só políticos e politicólogos. Os únicos que tomaram gosto pela eleição nas últimas semanas foram especuladores do mercado financeiro, que passaram a ganhar dinheiro com boatos falsos sobre pesquisas.

Como o interesse pelas eleições não aumentou desde novembro, os candidatos menos conhecidos seguem com dificuldades para ser uma opção real para os eleitores. Menos brasileiros dizem saber quem é Eduardo Campos (PSB) hoje do que em novembro: 28% dizem que não o conhecem o suficiente para opinar, ante 23% no fim de 2013. Ou seja: passado o efeito da fusão do PSB com a Rede de Marina Silva, Campos voltou ao ostracismo.

Isso não significa, necessariamente, que se e quando os candidatos de oposição aparecerem mais e se tornarem uma referência para o eleitor sua intenção de voto vai crescer.

As taxas de rejeição de Dilma, Aécio Neves (PSDB) e Campos se equivalem: 38%, 41% e 39%, pela ordem. Se essa proporção se mantiver quando os outros eleitores tomarem conhecimento de suas candidaturas, Aécio e Campos crescerão, mas não o suficiente para ameaçar a liderança de Dilma. Não basta aparecer. É preciso convencer.

Prova disso é que mesmo entre os 64% que gostariam que o próximo presidente mudasse tudo ou muita coisa no governo, 27% querem que essas mudanças sejam feitas pela própria Dilma. É um sinal de que nem Aécio nem Campos conseguiram convencer grande parte do eleitor mudancista de que são uma opção melhor do que Dilma para mudar o que é preciso.

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