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Mensalao

Lewandowski e Barbosa voltam a se estranhar

BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

13 Setembro 2012 | 03h 03

Na sessão, revisor disse que julgamento 'não é dos mais ortodoxos'; relator reclamou e pediu fim de 'jogo de intrigas'

Mais uma vez em rota de colisão, os ministros Joaquim Barbosa e Ricardo Lewandowski monopolizaram o início da sessão de ontem no Supremo Tribunal Federal com bate-boca e ironias recíprocas. Relator do processo do mensalão, Barbosa divergiu do revisor em relação ao envolvimento de réus com o crime de lavagem de dinheiro.

Ao manifestar-se a favor da absolvição da secretária Geiza Dias, que trabalhou na agência SMPB, de Marcos Valério, Lewandowski deu a entender que o julgamento era heterodoxo. "Esse julgamento não é dos mais ortodoxos que se processaram neste tribunal", afirmou. Em seguida, disse que era necessário respeitar as alegações da defesa dos réus.

Advogados de acusados reclamam que o relator tem levado em conta especialmente as argumentações do Ministério Público Federal. Barbosa respondeu que o colega estava insinuando que ele não se teria baseado nos argumentos dos advogados da secretária ao votar pela condenação. "Vossa Excelência está a sugerir que eu não fiz?", questionou o relator. "É uma insinuação, isso aqui não é academia. Vamos parar com esse jogo de intrigas."

O revisor retrucou indagando se ele deveria deixar de examinar a defesa. "Faça o seu voto de maneira sóbria", respondeu Barbosa. "O relator está dizendo que o meu voto não é sóbrio?", perguntou Lewandowski.

Decano do STF, o ministro Celso de Mello interveio para tentar acalmar os ânimos. Ele disse que Lewandowski estava apenas relembrando a garantia constitucional do contraditório, que estava sendo respeitada por todo o tribunal. O presidente do STF, Carlos Ayres Britto, disse que todos têm experiência suficiente, não precisam de lições.

Sessões extras. Sob a alegação de que os ministros tinham acertado reduzir seus votos, o STF suspendeu por enquanto a ideia de realizar sessões extras nas manhãs de quarta-feira para julgar o processo do mensalão. / M.G., E.B., R.B. e F.R.

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