Leia o primeiro discurso de Dilma Rousseff como presidente reeleita

Leia o primeiro discurso de Dilma Rousseff como presidente reeleita

Petista subiu em palanque em Brasília ao lado de Lula e aliados políticos

O Estado de S. Paulo

27 Outubro 2014 | 00h54

Leia a íntegra do primeiro discurso de Dilma Roussef como presidente reeleita, na noite deste domingo, 26, em Brasília:

"Boa noite! Eu queria cumprimentar a todos aqui e agradecer a cada um de vocês e a cada uma de vocês. Começo saudando o presidente Lula, presidente Lula. Olê, olê, olê, olá... Lula, eu te amo! (fala junto com o público)

Dirijo meu agradecimento e minha saudação ao vice-presidente da República, Michel Temer. Queria cumprimentar também a primeira, a vice-primeira-dama, Marcela. Cumprimentar os presidentes dos partidos da minha coligação, Rui Falcão, presidente do PT, Carlos Lupi, presidente do PDT, José Renato Rabelo, presidente do PCdoB, Ciro Nogueira, presidente do PP, Vitor Paulo, presidente, aliás, do Partido Republicano Brasileiro, o PRB, Antônio Carlos Rodrigues, presidente do Partido da República, Gilberto Kassab, presidente do PSD, Eurípedes Júnior, presidente do Pros. Cumprimento aqui os ministros de Estado, os governadores, deputados federais e senadores que me honram com a sua presença. Senhoras e senhores, jornalistas, fotógrafos e cinegrafistas.

Senhoras e senhores, meus amigos e minhas amigas. Chegamos, chegamos... Eu vou pedir, gente, um pouquinho de silêncio, porque a minha voz se foi. Então eu estou aqui usando um restinho de voz. Peço que vocês me deem uma força. Então eu peço uma força a vocês.

Meus queridos, minhas amigas e meus amigos. Meus amigos e minhas amigas, chegamos ao final de uma disputa eleitoral que mobilizou intensamente todas as forças da nossa, do nosso país, da nação. Como vencedora desta eleição histórica, tenho simultaneamente palavras de agradecimento e de conclamação.

Agradeço ao meu companheiro de chapa, parceiro de todas as horas, meu vice Michel Temer. Agradeço aos partidos políticos e sua militância, que sustentaram a nossa aliança e foram decisivos para a nossa vitória.

Agradeço a cada um e a cada uma dos integrantes dessa militância combativa, que foi a alma, que foi a força dessa vitória. E agradeço, sem exceção, a todos os brasileiros e brasileiras.

Eu faço um agradecimento do fundo do meu coração a um militante, ao militante número um, das causas do povo e do Brasil, o presidente Lula.

Conclamo... por favor! Conclamo, sem exceção, a todas as brasileiras e a todos os brasileiros para nos unirmos em favor do futuro de nossa pátria, de nosso país e de nosso povo. Não acredito, sinceramente, do fundo do meu coração, não acredito que essas eleições tenham dividido o país ao meio. Entendo, entendo, sim, que elas mobilizaram ideias e emoções às vezes contraditórias, mas movidas por um sentimento comum: a busca de um futuro melhor para o País.

Em lugar de ampliar divergências, de criar um fosso, tenho forte esperança de que a energia mobilizadora tenha preparado um bom terreno para a construção de pontes. O calor liberado no fragor da disputa pode e deve agora ser transformado em energia construtiva de um novo momento no Brasil. Com a força desse sentimento mobilizador, é possível encontrar pontos em comum e construir com eles uma primeira base de entendimento para fazermos o nosso país avançar. Algumas vezes na história, resultados apertados produziram mudanças mais fortes e mais rápidas do que vitórias muito amplas. É esta a minha esperança. Ou melhor, a minha certeza do que vai ocorrer a partir de agora no Brasil. O debate, o debate das ideias, o choque de posições pode produzir espaços de consensos capazes de mover nossa sociedade nas trilhas de mudanças que tanto necessitamos.

Minhas primeiras palavras são, portanto, de chamamento à base e união. Nas democracias maduras, união não significa necessariamente unidade de ideias, nem ação monolítica conjunta. Pressupõe, em primeiro lugar, abertura e disposição para o diálogo. Esta presidenta aqui está disposta ao diálogo, e é este o meu primeiro compromisso do segundo mandato: o diálogo.

Minhas amigas e meus amigos, toda eleição tem que ser vista como uma forma pacífica e segura de mudança de um país. Toda eleição é uma forma de mudança. Principalmente para nós que vivemos numa das maiores democracias do mundo. Quando, quando, quando uma reeleição se consuma, ela, a reeleição, tem que ser entendida como um voto de esperança dado pelo povo na melhoria do governo.

Voto de esperança é o que é uma reeleição. Muito especialmente na melhoria dos atos dos que até então vinham governando. Eu sei que é isso o que o povo diz quando reelege um governante. Foi o que eu escutei nas urnas. Por isso, quero ser uma presidenta muito melhor do que fui até agora.

Quero ser uma pessoa ainda melhor do que tenho me esforçado. Esse sentimento de superação deve não apenas impulsionar o governo e a minha pessoa, mas toda a nação.

O caminho é muito claro. Algumas palavras e temas dominaram essa campanha. A palavra mais repetida, mais dita, mais falada, mais dominante foi mudança. O tema mais amplamente invocado foi reforma.

Sei que estou sendo reconduzida à Presidência para fazer as grandes mudanças que a sociedade brasileira exige.

Naquilo que meu esforço e meu papel e meu poder alcançam podem ter certeza que estou pronta a responder essa convocação. Direi sim a esse sentimento que vem do mais profundo da alma brasileira. Sei da força e das limitações que tem qualquer presidente. Sei também do poder que cada presidente tem de liderar as grandes causas populares, e eu o farei.

A minha disposição mais profunda é liderar da forma mais pacífica e democrática esse momento transformador. Estou disposta a abrir um grande espaço de diálogo com todos os setores da sociedade para encontrarmos as soluções mais rápidas para os nossos problemas.

Minhas amigas e meus amigos aqui presentes, e todos os que estão no escutando e todo o povo brasileiro, entre as reformas, a primeira e mais importante deve ser a reforma política.

Meu compromisso, como ficou claro durante toda a campanha, é deflagrar essa reforma, que é responsabilidade constitucional do Congresso, e que deve mobilizar a sociedade em um plebiscito, que deve ser realizado por meio de uma consulta popular. Como instrumento dessa consulta, o plebiscito, nós vamos encontrar a força e a legitimidade exigida neste momento de transformação para levarmos à frente a reforma política.

Quero discutir profundamente com o novo Congresso e com toda a população brasileira. E tenho a convicção de que haverá interesse dos setores do Congresso, dos setores da sociedade, de todas as forças ativas na nossa sociedade para abrir uma discussão e encaminhar medidas concretas. Quero discutir igualmente com todos os movimentos sociais e as forças da sociedade civil.

Quando cito a reforma política, não significa que eu não saiba da importância das demais reformas, que temos também a obrigação de promover.

Terei um compromisso rigoroso também com o combate à corrupção, fortalecendo as instituições de controle e propondo mudanças na legislação atual para acabar com a impunidade, que é a protetora da corrupção. Ao longo da campanha, anunciei medidas que vão ser muito importantes para que a sociedade brasileira e o país como um todo enfrentem a corrupção e acabem com a impunidade.

Promoverei também, com urgência, ações localizadas, em especial na economia, para retomar o nosso ritmo de crescimento e para continuarmos garantindo os níveis altos de emprego e assegurando também a valorização dos salários. Vamos dar mais impulsos à atividade econômica, em todos os setores, em especial ao setor industrial.

Quero a parceria de todos os segmentos, os setores, as áreas produtivos e financeiros nessa tarefa, que é responsabilidade de cada um de nós, brasileiros e brasileiras. Seguirei combatendo com rigor a inflação e avançando no terreno da responsabilidade fiscal. Vou estimular o mais rápido possível o diálogo e a parceria com todas as forças produtivas do país. Antes mesmo do início do meu próximo governo, eu prosseguirei nessa tarefa.

Mais que nunca, é hora de todos e cada um de nós acreditar no Brasil. Ampliar nosso sentimento de fé nesta nação incrível a que nós temos o privilégio de pertencer, e a responsabilidade de faze-la uma sociedade mais próspera e mais justa.

O Brasil, esse nosso querido país, saiu maior desta disputa. E eu sei da responsabilidade que pesa sobre meus ombros. Vamos continuar construindo um país mais inclusivo, mais moderno, mais produtivo, um país da solidariedade e das oportunidades.

Um Brasil que valoriza o trabalho e a energia empreendedora. Um Brasil que cuida das pessoas com olhar especial para as mulheres, os negros e os jovens.

Um Brasil cada vez mais voltado para a educação, para a cultura, para a ciência e para a inovação. Vamos nos dar as mãos e avançar nessa caminhada que vai nos ajudar a construir o presente e o futuro.

O carinho, o afeto, o amor e o apoio que recebi nessa campanha me dão energia para seguir em frente com muito mais dedicação.

Hoje estou muito mais forte, mais serena e mais madura para a tarefa que vocês me delegaram.

Brasil, mais uma vez, esta filha tua não fugirá da luta. Viva o Brasil! Viva o povo brasileiro!"

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