João Paulo Cunha renuncia a candidatura após condenação por lavagem de dinheiro

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) foi condenado ontem pelo crime de lavagem de dinheiro no Supremo Tribunal Federal e decidiu comunicar a direção de seu partido que está fora da disputa pela prefeitura de Osasco, na Grande São Paulo. No dia anterior, a maioria dos ministros da Corte já havia condenado o petista por corrupção passiva e peculato.

FELIPE RECONDO, MARIÂNGELA GALLUCCI, VERA ROSA / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2012 | 03h13

Além de desistir da candidatura, o ex-presidente da Câmara dos Deputados teve de aceitar ainda a indicação do candidato a vice em sua chapa, Jorge Lapas, como o seu substituto na disputa. Apesar de ser petista, Lapas não é do mesmo grupo político de João Paulo dentro do PT.

A "sentença política" foi dada a João Paulo ao longo do dia, em reuniões com a participação do prefeito de Osasco, Emídio de Souza, aliado de Lapas. Abatido e emocionado, o deputado disse a correligionários que fora injustiçado pelo STF, vítima do que o PT chama de "farsa" do mensalão, e admitiu não ter condições de levar adiante a candidatura.

Mesmo assim, ele pretendia escolher outro nome para substituí-lo. Avaliava que o também petista Jorge Lapas, ex-secretário de Obras e de Governo de Emídio, não era conhecido do eleitorado nem tinha densidade política.

Na prática, a resistência de João Paulo a ceder a vaga para Lapas refletia uma queda de braço com Emídio. Uma briga entre "criador" e "criatura". Emídio assumiu a Prefeitura de Osasco em 2005 - indicado por João Paulo, então presidente da Câmara - e está no segundo mandato.

No ano passado, o prefeito disse até ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva que o candidato à sua sucessão deveria ser Jorge Lapas. Alegou que João Paulo era réu no processo do mensalão e que, se condenado pelo Supremo, o PT poderia perder a Prefeitura.

O deputado, porém, não acreditava que o mensalão fosse julgada neste ano. Além disso, tinha convicção de que seria absolvido.

Até mesmo o ex-ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos foi consultado sobre quais deveriam ser os próximos passos de João Paulo. "Ele tem que renunciar o mais rápido possível", disse Thomaz Bastos ao telefone.

Na noite de ontem, aliados do deputado afirmavam que quanto mais ele demorasse para anunciar publicamente a desistência do páreo, mais seria responsabilizado pelos prejuízos à campanha petista em Osasco. Até a conclusão desta edição, o anúncio da desistência havia sido feito só internamente no partido.

Na Justiça. João Paulo foi condenado por lavagem de dinheiro ontem por seis votos a quatro por ter mandato a mulher sacar os R$ 50 mil na agência do Banco Rural, dinheiro que, segundo os ministros, foi pago como propina pelo empresário Marcos Valério. Os ministros entenderam que ele tentou esconder a origem dos recursos. Por 9 votos a 2, o tribunal já havia condenado o petista por peculato e corrupção passiva. A soma das penas dos três crimes chega a sete anos, se calculada pelo mínimo. No entanto, o ministro Cezar Peluso, que antecipou seu voto quando às penas, mostrou que o STF deve aumentar esse prazo.

A pena que será imposta a João Paulo será calculada apenas ao final do julgamento. Se fosse estabelecida a pena mínima, os crimes de peculato e corrupção passiva poderiam estar prescritos. Como a pena mínima pelo crime de lavagem é mais alta - três anos - o crime não estaria prescrito, mesmo se fosse imposta a pena mais baixa. O petista pode ser condenado, inclusive, a prisão em regime fechado.

Há possibilidade de o deputado recorrer no próprio Supremo.

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