Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

'Independentes' fogem da orientação do partido, aponta Basômetro

Feramenta mostra que alguns deputados de siglas que integram a base aliada do governo Dilma Rousseff têm atuação de oposição nas votações

O Estado de S.Paulo

21 Maio 2012 | 03h06

Eleitos por partidos da base aliada da presidente Dilma Rousseff (PT), os deputados Jair Bolsonaro (PP-RJ), Anthony Garotinho (PR-RJ) e José Antônio Machado Reguffe (PDT-DF) têm atuação de oposição nas votações da Câmara Federal. Já o mineiro Lael Varella, do oposicionista DEM, se destaca com um perfil altamente governista. O motivo do descolamento das bases partidárias, segundo os próprios deputados, é a "independência".

"Eu sou completamente independente, voto conforme o que acho melhor para o País", diz Bolsonaro. De acordo com o Basômetro, ferramenta do Estadão Dados que mostra como os parlamentares votam, o deputado do PP tem taxa de governismo de 25%, índice bem próximo do DEM (27%) e do PSDB (22%) e bem longe da taxa de seu partido, que é de 92%.

"Eles (os líderes do PP) sabem que já sou um caso perdido, então nunca me perturbam", comenta o deputado, rindo. "Mas eu sou importante para o partido, que por minha causa recebe uma verba maior do fundo partidário, uns R$ 200 mil ao ano, além de ter mais tempo de TV", afirma.

Anthony Garotinho também se diz independente do PR. "Desde o início do mandato o PR sabia que seria assim. Eu voto sempre de acordo com minha consciência, independentemente da posição do partido", defende.

Garotinho votou 38% das vezes com o governo, enquanto seu partido tem uma média de apoio de 82%. "Fui convidado para ser líder do PR, mas declinei justamente porque, nessa função, teria que atender às orientações", explica. Apesar disso, o deputado diz que nunca foi alvo de reclamações dos colegas da sigla por conta da posição divergente.

A taxa de governismo de Reguffe é idêntica à do PSOL, de 28%, e bem distante da de seu partido, o PDT, de 83%. O deputado diz que já foi sondado pelo PSOL, mas não pretende deixar os trabalhistas. "Eu sigo a minha linha. Algumas pessoas podem me criticar por ter uma postura mais independente, mas eu sigo a minha consciência", afirma.

Em 2011, Reguffe chegou a defender a saída de Carlos Lupi, presidente do PDT, do comando do Ministério do Trabalho após denúncias de irregularidades que abalaram a pasta. "É claro que houve momentos de tensão (com o PDT). Mas isso não significa uma ruptura, mas que eu não vou perder meu espírito crítico", completa.

Sem mudança. Outro destaque é a deputada Nice Lobão (MA), que migrou do DEM para o PSD, mas mantém a característica oposicionista apesar de seu novo partido se aproximar da presidente Dilma.

Com 36% de taxa de governismo contra 87% do partido, a deputada tem baixa participação: ela não participou de 88 das 98 votações. Procurada pelo Estado, Nice disse que está em tratamento médico e não poderia dar entrevista. / AMANDA ROSSI e FÁBIO GRELLET

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