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Henry é 1º condenado a trabalhar fora da prisão

Mateus Coutinho e Lilian Venturini - O Estado de S.Paulo

10 Janeiro 2014 | 02h 10

Ex-deputado do PP passa a ocupar cargo administrativo em hospital de Cuiabá; Dirceu e outros cinco aguardam autorização da Justiça para ter o benefício

Condenado a 7 anos e dois meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no mensalão, o ex-deputado federal Pedro Henry (PP-MT) foi o primeiro dos condenados que cumprem a pena no regime semiaberto autorizado a trabalhar fora da prisão.

Médico por formação, ele começou a trabalhar ontem como coordenador administrativo do hospital particular Santa Rosa, em Cuiabá (MT), e deve receber um salário de R$ 7,5 mil.

O pedido feito pela defesa do ex-parlamentar foi acatado anteontem pelo juiz Geraldo Fernandes Fidelis Neto, da 2ª Vara Criminal de Cuiabá.

Segundo informou o hospital, a rotina de trabalho de Henry será das 7h às 17h. Às 19h ele deverá se reapresentar à Penitenciária Central do Estado (Polinter), onde permanecerá até as 6h do dia seguinte. Aos sábados, ele tem que voltar para o presídio até as 14h ficar recluso até as 6h da segunda-feira seguinte.

No emprego, o ex-parlamentar que recebeu dinheiro do mensalão exerce funções administrativas, como cuidar da escala dos profissionais. Mesmo sendo médico, ele não pode atender pacientes.

O ex-deputado tem que usar tornozeleira eletrônica e está proibido de frequentar lugares como casas de prostituição e de jogos, portar armas e ingerir bebidas alcoólicas ou se apresentar embriagado na penitenciária.

Henry se comprometeu a cumprir rigorosamente as determinações.

Após ter a ordem de prisão decretada, em dezembro, ele renunciou ao mandato na Câmara - decisão também adotada por José Genoino (PT-SP) e Valdemar Costa Neto (PR-SP) - para evitar o processo de cassação. Inicialmente Henry foi encaminhado para o Complexo da Papuda, em Brasília, onde estão outros condenados do mensalão, e foi transferido no fim de dezembro para Mato Grosso.

Único. Dos 17 condenados que já tiveram a prisão decretada, 9 cumprem pena no semiaberto, em que há a possibilidade de se trabalhar durante o dia. Mas apenas Henry teve seu pedido aceito pela Justiça até agora.

O pedido de trabalho de José Dirceu, preso na Papuda desde novembro, foi o que causou mais polêmica. Em novembro, o ex-ministro pediu autorização para trabalhar como gerente administrativo no Saint Peter Hotel, em Brasília, com salário de R$ 20 mil.

O petista, contudo, desistiu depois de uma série de notícias veiculadas na imprensa sobre a existência de um laranja residente no Panamá na constituição societária do hotel quatro estrelas.

Em dezembro, a defesa de Dirceu entrou com um outro pedido, dessa vez para que ele trabalhe na biblioteca do escritório de advocacia José Gerardo Grossi, com um salário de R$ 2,1 mil. Dentre os clientes do escritório de Grossi estão o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG),

O ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, também entrou com pedido para trabalhar na Central Única dos Trabalhadores (CUT), em Brasília.

Também pediram para trabalhar Rogério Tolentino, o ex-tesoureiro do PR, Jacinto Lamas e os ex-deputados Romeu Queiroz (PTB-MG) e Pedro Corrêa (PP-PE).

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