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Grupo quer ouvir sargento do DOI paulista

Roldão Arruda e Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo

07 Abril 2014 | 02h 09

O sargento do Exército Roberto Artoni é a principal testemunha que deve ser ouvida hoje pela Comissão Nacional da Verdade sobre o funcionamento dos centros clandestinos de tortura na área do Destacamento de Operações de Informações (DOI) do 2.º Exército. Artoni é peça-chave no quebra-cabeça que a comissão quer montar.

Ele foi o braço direito do capitão Ênio Pimentel da Silveira, o Doutor Ney, comandante da mais secreta seção do DOI paulista: a Investigação. Segundo o agente Marival Chaves, Artoni, conhecido pelo codinome Pedro Aldeia, trabalhava com informantes e pode esclarecer o destino de muitos dos militantes do PCB, do Molipo e da ALN mortos ou desaparecidos depois de presos pelo DOI.

Pedro Aldeia, segundo agentes que trabalharam no DOI, teria participado de operações que levaram à prisão de Antonio Carlos Bicalho Lana, Sonia Maria Angel Jones, Ana Rosa Kucinski e Wilson Dias, todos da ALN. Também teria participado da prisão de dirigentes do PC do B e da chamada Chacina da Lapa, em 1976, na qual morreram Pedro Ventura Pomar, Angelo Arroyo e João Batista Franco Drummond.

Além de Artoni, estão previstos depoimentos do delegado Carlos Alberto Augusto, o Carteira Preta, e Dirceu Gravina, o agente JC (de Jesus Cristo), que trabalhava na Seção de Interrogatório do DOI e participou da operação na qual morreram os guerrilheiros Lauriberto José Reyes e Alexander José Ibsen Voerões, em fevereiro de 1972. Os guerrilheiros pertenciam ao Molipo, dissidência da ALN da qual fazia parte o ex-ministro José Dirceu.

Já o delegado conhecido como Carteira Preta foi investigador no Departamento Estadual de Ordem Política e Social (Dops) e se orgulha de ter feito parte da equipe do delegado Sérgio Paranhos Fleury.

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