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Governador cobra solução para haitianos

ITAAN ARRUDA, ESPECIAL PARA O ESTADO, RIO BRANCO - O Estado de S.Paulo

17 Janeiro 2014 | 02h 04

O governador do Acre, Tião Viana (PT), cobrou ontem uma solução definitiva para os imigrantes haitianos que utilizam o Estado para entrar no Brasil. "Em dezembro do ano passado, o Ministério da Justiça acordou com o nosso governo que o tempo máximo de permanência do imigrante em Brasileia seria de três dias. Infelizmente, o ministério não alcançou essa meta", afirmou o governador petista, que participou de uma audiência no Ministério da Justiça, em Brasília.

Segundo o governo do Acre, o caso será tratado na próxima semana em uma reunião com representantes dos ministérios da Casa Civil, da Justiça, da Saúde, da Presidência da República e da administração estadual. Autoridades do Acre já sugeriram que a fronteira com o Peru fosse fechada provisoriamente para o trânsito de haitianos. Atualmente, cerca de 1,2 mil haitianos estão abrigados na cidade de Basileia, no sul do Estado, em um espaço onde cabem, no máximo, 300 pessoas.

"Essa proposta (de fechamento da fronteira) é absurda e descabida", rebateu a coordenadora de Política Externa da organização não governamental Conectas, Camila Lissa Asano. A ONG trabalha na defesa dos Direitos Humanos. A Conectas cobra que o governo federal assuma a administração do abrigo que acolhe os haitianos em Brasileia e também amplie o espaço. "Essa postura do governo de propor o fechamento, mesmo que provisório, atenta contra a lógica de defesa dos direitos humanos", insiste Camila. "Se o Brasil diz defender uma política migratória pautada pelos direitos humanos, então não pode fechar fronteira."

De acordo com a Secretaria de Estado de Justiça e Direitos Humanos, a previsão é que o número de imigrantes aumente para 1,5 mil nesse fim de semana. "Não haverá comida para todos", advertiu o secretário Nilson Mourão. "Aquilo ali está uma tragédia anunciada."

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