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Eleições 2014

Gilberto Carvalho diz que Marina é volta a 'Era FHC'

Angela Lacerda - O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2014 | 23h 38

Para ministro da Secretaria-Geral da Presidência, cabe a Aécio atacar a candidata. "Quem está desesperado é ele, nós estamos no jogo"

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, afirmou em entrevista, nesta noite (29), no Recife, que o programa de governo de Marina Silva "é uma cópia do PSDB" e uma volta à era Ferrnando Henrique Cardoso. "Estou assustado, esperava um programa mais progressista, um programa que não falasse em voltar ao que era a era FHC", avaliou. "Estou profundamente decepcionado".  

Segundo ele, até a apresentação do programa de governo, Marina era tida como um adversário mais difícil. "Marina começa a perder aura de candidata mais difícil de bater", observou ao indagar: "a nova política é um retorno ao passado?". Para o ministro, "além das questões vagas e imprecisas, o resto é cópia do PSDB". Ele criticou a falta de prioridade ao pré-sal, quando a candidata do PSB sabe que "o pré-sal está sendo usado para a saúde e para a educação" e também "a coisa da autonomia do Banco Central, as medidas anunciadas que se prevê para a economia, tudo numa linha de retomada". 

Sobre as indefinições da candidata, comentou ter visto uma brincadeira na Internet na qual diante da pergunta "crédito ou débito?" Marina diz "nem um nem outro". "Não pode ser isso, tem que fazer uma escolha, tem um limite esta história", complementou.

Aécio desesperado e segundo turno duríssimo. Ele defende que a campanha do PT não deve mudar de estratégia diante do crescimento de Marina, que já aparece empatada com Dilma. "Não temos que começar a querer atacar Marina, desconstruir a Marina", frisou. "Vamos deixar isso para o Aécio, quem está desesperado é ele porque, se nós estamos preocupados porque a Marina cresce, nós estamos no jogo, o Aécio está ficando fora do jogo, então, ele vai ter que ir para o ataque".

"Acho que não nos compete, sinceramente, nenhuma mudança e também não ficar muito nervoso", afirmou ao antever "um segundo turno duríssimo". "Creio muito na vitória da Dilma, mas vai ser suado".

Militância. Gilberto Carvalho esteve no Recife para um encontro de motivação da militância do PT, dentro de uma programação organizada há 15 dias, ainda antes da morte do ex-candidato Eduardo Campos e da sua substituição por Marina Silva. A meta é realizar estes encontros em 200 cidades brasileiras. Recife é uma das prioridades.

"O debate aqui está duro, as pesquisas apontam que a Marina está na frente aqui no Estado. Então, temos que caprichar aqui", adiantou. "A Dilma vem, o Lula vem".

"No atual momento, dadas as condições do fenômeno da Marina, torna-se ainda mais importante de fato a gente fazer aquilo que a gente chama de infantaria" disse. "A artilharia é feita pela televisão e artilharia tem que ser feita na explicação do nosso projeto, na explicação do que foi e é o nosso governo".

"A politização do debate, a militância tem condição de fazer, a nossa ideia é carregar as baterias do pessoal para isso", complementou, ao citar o senador Humberto Costa, coordenador da campanha presidencial em Pernambuco que diz que: "não era para a gente estar com tanta dificuldade tendo realizado o governo que nós realizamos".

 "Temos que, de um lado, mostrar o que nós fizemos de maneira mais clara, muita coisa que a gente fez, o povo não sabe", destacou ao criticar novamente a imprensa, citando a criminalização sofrida pelo governo petista. "A elite controla a mídia. Não temos uma mídia democrática no país em termos de acesso a esses meios".

 "Houve uma sonegação de informação muitas vezes do real significado de cada intervenção", disse. "Houve um bloqueio de muitas informações, do alcance real da mudança que nós fizemos".

 A ideia, então, é explicar para militância a importância que ela tem na campanha e, "ao mesmo tempo, trabalhar com eles o programa de governo, a participação deles que sempre tem sido intensa nos nossos governos, trabalhar a governabilidade social do governo atual e do próximo governo, se Deus quiser que a Dilma ganhe".

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