Geraldo Alckmin é reeleito governador de SP com 57% dos votos

Governador não superou a marca de José Serra em 2006, que teve 57,93% dos votos válidos; abstenção de 19,54% foi recorde

Paulo Saldaña

05 Outubro 2014 | 19h52

Atualizado às 22h40

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) foi reeleito neste domingo ao cargo de governador de São Paulo no primeiro turno com uma das maiores distâncias para o segundo colocado desde 1989 - foram 7,5 milhões de votos a mais do que o candidato Paulo Skaf (PMDB). Alckmin, entretanto, não conseguiu garantir uma expansão considerável no volume de votos que havia acumulado na eleição passada, em 2010, quando também venceu no primeiro turno.

O desempenho foi reflexo principalmente de uma divisão dos votos entre dois principais candidatos de oposição, o que impossibilitou a consolidação de um adversário mais forte. Também colaborou para o cenário um índice recorde de votos nulos, brancos e abstenções.

Alckmin obteve 57,32% dos votos válidos (excluídos os brancos e nulos), deixando para trás o candidato Skaf, com 21,54%, e o petista Alexandre Padilha, que alcançou 18,20%. O candidato Gilberto Natalini (PV) aparece na sequência, com 1,22% dos votos, e Gilberto Maringoni (PSOL) em quinto, com 0,88%. Os outros quatro candidatos ao governo do Estado não alcançaram juntos 1% dos votos válidos.

Na capital paulista, Alckmin também teve desempenho melhor do que os adversários e, se a eleição fosse definida aqui, venceria no primeiro turno. Mas a vantagem foi menor. Ficou com 51,94% dos votos válidos. Padilha, com 22,19%, passou Skaf (21,40%) na cidade.

Distância. O governador reeleito somou 12.065.402 votos neste pleito - cerca de 546 mil a mais do que recebeu em 2010. Na eleição passada - quando garantiu o mandato que termina no fim deste ano - Alckmin levou no primeiro turno, mas com uma proporção de votos muito menor do que a de agora: garantira 50,62% dos votos válidos. Na ocasião, o candidato de oposição, Aloizio Mercadante (PT), ficou em segundo, com 35,23% dos votos.

Desde 1989, só a eleição de 2006 foi vencida com folga maior do que a registrada no pleito deste domingo. Há oito anos, o também tucano José Serra, eleito agora senador, tornou-se governador de São Paulo com 57,93% dos votos válidos, deixando Mercadante para trás com 31,68%. Em terceiro lugar, Orestes Quércia (PMDB, falecido em 2010), marcou apenas com 4,57%.

Os tucanos completam com essa eleição a sexta vitória consecutiva no Estado de São Paulo. O PSDB governa o Estado mais rico do País desde 1994, com a eleição de Mario Covas - obtida só no segundo turno, com uma vitória sobre Francisco Rossi (na época pelo PDT).

Aos 61 anos, Alckmin recebe da população paulista seu quarto mandato - ele havia, além de ter sido vice de Covas em 1994 e 1998, assumido o cargo a partir de 2001, depois da morte do ex-governador.

Sua eleição mais concorrida ocorreu em 2002, quando foi para o segundo turno com José Genoino (PT) com uma diferença de menos de 6 pontos porcentuais registrada no primeiro turno. No fim, acabou se elegendo com certa folga (58,64%).

Apesar de representar a continuidade tucana no Estado, essa eleição marcou a interrupção da polarização entre PSDB e PT que se repetia desde 2002. A última vez que o segundo colocado na eleição não foi um petista ocorreu em 1998, quando Covas venceu Paulo Maluf (PP) no segundo turno depois de ter perdido o primeiro turno.

Recorde. Essa eleição em São Paulo foi marcada por uma abstenção de 19,54%, que representa mais de 6 milhões de eleitores. É o maior registro de faltas pelo menos desde 1989 no Estado. O volume de brancos e nulos também foi alto, de 17,06%, o que significa uma soma de mais de 4,3 milhões de eleitores. Esse índice só é superado pelo registrado em 1994, quando 23,77% dos eleitores anularam ou decidiram votar em branco.

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