1. Usuário
Assine o Estadão
assine


Gabrielli discutiu a compra de 100% da refinaria em reunião na Dinamarca

Cláudia Trevisan, Enviada Especial / HOUSTON - O Estado de S.Paulo

28 Março 2014 | 02h 07

No encontro de 2007 com sócios belgas, então presidente da Petrobrás estava acompanhado de dois diretores da estatal

O ex-presidente da Petrobrás José Sérgio Gabrielli participou de uma reunião em Copenhague, na Dinamarca, na qual foram acertados detalhes para a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.

A reunião com representantes da Astra Oil, então sócios no negócio, aconteceu em setembro de 2007. Gabrielli estava acompanhado dos então diretores da Petrobrás Nestor Cerveró e Paulo Roberto Costa.

Cerveró tinha escrito, um ano antes, o resumo técnico que embasou a decisão do Conselho de Administração da Petrobrás de comprar 50% da refinaria. Então presidente do colegiado, a presidente Dilma Rousseff disse semana passada que só apoiou o negócio porque o resumo era "falho".

Costa está preso sob suspeita de ter recebido propina em contratos da Petrobrás para obras de construção da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Na reunião de Copenhague Gabrielli discutiu a proposta da Petrobrás de pagar US$ 700 milhões pelos outros 50% da refinaria. As informações estão em documento apresentado pela própria estatal em um dos processos judiciais nos quais as duas empresas se enfrentaram na Justiça do Texas. Nele, o então diretor da estatal na Holanda, Samir Passos Awad, disse ter participado da reunião.

A Astra foi representada por seu dono, Gilles Samyn, e seu representante nos EUA, Mike Winget. Em dezembro daquele ano de 2007 a proposta de compra da Petrobrás foi oficializada em carta à empresa belga.

A negociação foi implodida no ano seguinte pelo veto do Conselho de Administração da Petrobrás, com Dilma no comando.

Nos EUA, as duas sócias começaram a se desentender e a Petrobrás decidiu recorrer a uma corte de arbitragem em junho de 2008. A Astra respondeu com o exercício da opção de venda de sua metade na refinaria, que a estatal brasileira estava obrigada a comprar nos termos do acordo assinado em 2006.

Depois de dez meses de disputa, a Petrobrás foi derrotada na corte de arbitragem, que determinou que ela pagasse US$ 640 milhões à Astra. Desse total, US$ 295,6 milhões eram para a compra de metade de Pasadena e US$ 171 milhões correspondiam ao pagamento por 50% da trading de petróleo que integrava a sociedade. A Petrobrás foi condenada ainda a pagar US$ 160 milhões por um empréstimo que havia sido quitado pela Astra. Além disso, teria de desembolsar mais US$ 4,7 milhões para ressarcir as despesas da ex-sócia com advogados e custas do processo.

Em 2012, a Petrobrás foi derrotada em última instância e entrou em acordo com a Astra, pelo qual concordou em pagar US$ 820 milhões - US$ 180 milhões a mais do que o determinado pela corte arbitral em 2009. No fim, a compra superou US$ 1 bilhão.

  • Tags: