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Funai exonera coordenador na área de Humaitá

José Maria Tomazela, Enviado especial/ Humaitá, Chico Siqueira, Especial para O Estado

11 Janeiro 2014 | 02h 10

População entrou em conflito com índios tenharim após desaparecimento de três moradores

A Fundação Nacional do Índio (Funai) exonerou nesta sexta-feira o coordenador regional Ivã Gouvêa Bocchini, responsável pela região de Humaitá (AM), onde a população está em conflito com os índios da etnia tenharim desde que três moradores desapareceram, em 16 de dezembro, quando atravessavam a reserva indígena.

Em nota, a Funai afirma que, "diante dos fatos ocorridos em Humaitá, não houve condições de permanência do coordenador Ivã Bocchini na região". E Bocchini, diz a Funai, "não está autorizado a dar entrevistas".

O ex-coordenador da fundação é autor do texto que levantou a hipótese de assassinato do líder indígena Ivan Tenharim, morto em 3 de dezembro, após sofrer um acidente de motocicleta quando voltava de Santo Antônio do Matupi para sua aldeia. Publicado no blog da Funai de Humaitá, e logo retirado do ar, o artigo teria incitado líderes indígenas a vingar a morte do cacique com o sequestro de três moradores da cidade - o professor Stef Pinheiro, de 43 anos, o representante comercial Luciano Ferreira Freire, de 30, e o técnico da Eletrobrás Aldeney Ribeiro Salvador, 40, que ocupavam um Gol preto quando desapareceram, no dia 16.

Revoltados com o desaparecimento dos três, outros moradores incendiaram a sede da Funai, veículos e um barco de assistência aos índios, no dia de Natal. Dois dias depois, um grupo invadiu a aldeia e destruiu postos de pedágio mantidos pelos índios na Rodovia Transamazônica.

A Polícia Federal continua as buscas dos três desaparecidos, com uma delegacia móvel montada em um caminhão. As equipes usam equipamentos especiais, como ultrassom para a leitura do subsolo e um detector de metais.