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Fragmentação partidária impede domínio total

O Estado de S.Paulo

16 Março 2014 | 02h 09

ANÁLISE: Daniel Bramatti

Ainda que o PT consiga ampliar a bancada na Câmara para cerca de 100 deputados, estará longe de consolidar uma "hegemonia" no Congresso, diferentemente do que dizem alguns líderes da base. O partido teria, afinal, cerca de 20% dos deputados, e uma parcela ainda menor de senadores.

Isso se deve à extrema fragmentação partidária no Brasil. Há nada menos do que 21 legendas com representação na Câmara neste momento. Não há nada parecido em outros países de tradição presidencialista. Na Argentina, são seis os partidos com cadeiras no Parlamento. No México, sete. No Chile, 11, mas 10 deles estão agrupados em duas coalizões.

Existe um enorme descompasso entre a votação dos partidos para cargos executivos e legislativos no Brasil. Dilma Rousseff, por exemplo, conquistou 47% do eleitorado no primeiro turno em 2010, enquanto o PT obteve 17% dos votos para a Câmara.

Desde a redemocratização e o fim do bipartidarismo imposto pelo regime militar, houve apenas um episódio em que uma sigla obteve maioria absoluta na Câmara, no nem tão distante ano de 1986. Quem elegeu 260 deputados (53% das vagas) foi o mesmo PMDB que hoje acena com o fantasma da hegemonia petista.

Foi um ponto fora da curva. Já na eleição seguinte, a representação do PMDB encolheu para 108 deputados (queda de 58%). O então PFL, grande vitorioso da eleição de 1998, hoje se chama DEM e tem bancada 75% menor. Na política, como na bolsa de valores, o desempenho passado não garante resultados futuros.

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