Fernando Pimentel confirma favoritismo e é eleito governador em Minas Gerais

Fernando Pimentel confirma favoritismo e é eleito governador em Minas Gerais

Candidato do PT derrota Pimenta da Veiga e derruba hegemonia de 12 anos do PSDB

Marcelo Portela, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2014 | 20h15

Atualizado às 23h30

BELO HORIZONTE - O governador eleito de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), comemorou na noite de ontem a vitória em primeiro turno com recado direito para o senador Aécio Neves (PSDB-MG), que disputará o 2.º turno da eleição presidencial com a presidente Dilma Rousseff, e os aliados do tucano. Para o petista, o resultado da eleição foi a derrota da "arrogância"e daqueles que se achavam "soberanos, donos dos votos e da vontade alheia". 

O ex-ministro e amigo pessoal de Dilma desde os tempos de juventude tem motivos para comemorar. Além da vitória de ontem em votação única, a campanha de Pimentel ajudou a presidente a superar Aécio no Estado que governou por dois mandatos. A petista teve mais de 412 mil votos a mais que o presidenciável tucano no eleitorado mineiro.

Após receber telefonemas de congratulações de Dilma, amigos e aliados, o governador eleito participou de rápida comemoração. A equipe de Pimentel não soube informar se tucanos ligaram para parabenizá-lo pela vitória.

Em entrevista coletiva depois de celebrar a vitória com os aliados, Pimentel lembrou que, no início das eleições, as lideranças do PSDB em Minas contavam com uma vitória fácil no Estado, tanto do candidato ao governo, Pimenta da Veiga, quanto de Aécio sobre Dilma.

"Esse resultado das urnas mostra o que a gente dizia desde o início da campanha: aqui, soberano é o povo de Minas", declarou Pimentel, repetindo ainda a frase dita ao longo da campanha, de que o Estado "não tem dono, não tem rei, não tem imperador", em clara referência a Aécio. Ao se referir à vitória da "humildade" contra a "arrogância", o petista afirmou: "Humildade porque essa eleição mostra a derrota da arrogância".

Pimentel também destacou a boa performance do PT na formação das bancadas federal e estadual - ambas as maiores entre os partidos -, assim como na eleição dos campeões de voto para a Câmara e para a Assembleia.

"Aqueles que diziam que iam ter 4 milhões de votos de frente em relação a nossa coligação, estou vendo agora nas urnas 1 milhão de votos a mais contra eles e quase 500 mil votos a mais na coligação nacional", citou Pimentel. "O povo de Minas deu uma lição naqueles que queriam ser soberanos, donos do voto e da vontade alheia. Nós nunca nos arvoramos donos de nada nem de ninguém. Trabalhamos nessa campanha com a mesma humildade com que vamos governar Minas Gerais."

Campanha nacional. Na avaliação de aliados, a conquista do governo mineiro, que estava há 12 anos sob gestão do PSDB e será comandado pela primeira vez pelo PT, dá mais peso político a Pimentel. Mas, questionado sobre sua participação na campanha de Dilma no 2.º turno, o governador eleito observou que agora precisa ter "enorme senso de responsabilidade", assim como o vice, Antônio Andrade (PMDB). 

"Estamos aqui já na qualidade de governador e vice-governador eleitos de Minas Gerais. Amanhã (hoje) vamos tomar as providências iniciais para começar a transição. Vamos fazer um esforço para diferenciar o que é tarefa de transição do governo com o que é tarefa partidária no Estado", declarou, dizendo que vai ajudar Dilma como "cidadão".

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