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Fazendo média na eleição

José Roberto de Toledo

Dilma Rousseff (PT) parou de cair? Aécio Neves (PSDB) cresceu, mas quanto? Eduardo Campos (PSB) estacionou? Qual o peso dos nanicos na eleição? Todas essas questões têm respostas diferentes, dependendo da pesquisa e do instituto. Para revelar as tendências por trás das oscilações estatísticas, metodológicas e de outras naturezas, melhor fazer uma média.

É o que o Estadão Dados começa a calcular a partir desta semana. Em formato de gráfico, a média será atualizada a cada novo levantamento: blog.estadaodados.com. A esta altura da corrida presidencial, a média mostra Dilma com o dobro de intenções de voto de Aécio, que tem o dobro das de Campos. Mas qual a tendência de cada um? Antes de responder, vale a pena entender para que serve a média e como ela é calculada.

A tradição no Brasil é olhar para as pesquisas de um instituto de cada vez e não compará-las às dos demais, sob o argumento de que suas metodologias são diferentes. Às vezes, nem pesquisas do mesmo instituto são comparadas entre si, porque os clientes são outros - como é o caso das pesquisas do Ibope feitas para a CNI. É uma tradição que deveria mudar.

De fato, os métodos de coleta, amostragem e ponderação variam de instituto para instituto. E isso pode resultar em pequenas diferenças entre eles, especialmente na pré-campanha, quando muita gente só pensa em eleição (e em quem vai votar) ao ser abordado pelo pesquisador. Mas isso não muda o fato de que as pesquisas tentam medir o mesmo fenômeno e que deveriam, se bem feitas, revelar as mesmas tendências.

É clássica a diferença de abordagem entre Ibope e Datafolha, os dois mais tradicionais e confiáveis institutos brasileiros quando se trata de pesquisas eleitorais. O Ibope aborda o eleitor em casa. O Datafolha o faz na rua, ou, mais precisamente, em pontos de fluxo. Ambos os métodos são válidos e, quando comparados aos resultados das urnas, alcançam taxa de acerto acima de 95% - dentro, portanto, do esperado.

Quanto mais distante a data da eleição e quanto menor o interesse do eleitor pela disputa, porém, maior a chance de haver diferença entre os números de um e de outro instituto.

Antes de a propaganda diária inundar a TV e o imaginário do eleitor, o Ibope costuma encontrar sempre mais eleitores sem candidato (37%) do que o Datafolha (24%) - talvez porque o "rueiro" abordado pelo Datafolha esteja mais ligado na eleição. Isso influi na intenção de voto de candidatos que vão melhor entre quem costuma sair mais de casa, como Marina Silva.

Esse é apenas um exemplo de como metodologias diferentes podem dar números diferentes na pré-campanha. Mas isso não altera as tendências. Estas devem ser sempre as mesmas. Ainda que com alguma defasagem, todas as pesquisas deveriam mostrar as mudanças e os mesmos rumos da opinião pública.

Para isso serve a média - para separar o som do ruído, revelar as tendências de médio prazo e eliminar oscilações sem significado. Ela não substitui as pesquisas de cada instituto, porém, pois é mais lenta para detectar os câmbios. Mas funciona como contraprova de para onde o vento está soprando.

Pela média ponderada das pesquisas (os institutos têm peso diferente, conforme sua tradição e confiabilidade), Dilma segue em queda. Desde meados de março, ela perdeu um ponto a cada cálculo da média e está com 36%. Aécio saiu da imobilidade após a propaganda do PSDB na TV e chegou a 18%. É preciso esperar para ver se essa tendência de crescimento se manterá depois de o tucano ter gastado seu horário de propaganda do semestre.

Eduardo Campos cresceu após se expor na TV, refluiu quando parou de aparecer, e, mais recentemente voltou aos 9% a que chegara antes. Os nanicos também cresceram, sinalizando que o eleitor que quer mudança procura alternativas. Tudo isso tende a acompanhar o que acontecerá na economia, na Copa e na propaganda de TV. Pesquisas dirão, e a média confirmará, ou não.