Ex-favorito baiano se diz surpreso com derrota para o PT

Ex-favorito baiano se diz surpreso com derrota para o PT

Souto, que liderou as pesquisas na maior parte da campanha, é vencido por Rui Costa e afirma não ter 'diagnosticado' problema

Murilo Rodrigues Alves - ENVIADO ESPECIAL e Tiago Décimo - CORRESPONDENTE, O Estado de S. Paulo

06 Outubro 2014 | 02h19

SALVADOR - Favorito desde o início da campanha e derrotado nas urnas pelo petista Rui Costa, o ex-governador da Bahia Paulo Souto (DEM) chegou à terceira derrota consecutiva, todas em primeiro turno, na disputa pelo governo do Estado. Nas duas eleições anteriores, perdeu para o atual governador, Jaques Wagner (PT). Souto pôs em dúvida seu futuro eleitoral. “É um momento para refletir”, afirmou.

“Nos últimos 15 dias o resultado mudou e não sei diagnosticar o motivo, mas isso é da política”, resignou-se. “O que quero dizer é que estou tranquilo, acho que cumpri minha obrigação de chamar a atenção para os principais problemas da Bahia. Desejo que o vencedor possa fazer um bom governo."

Costa, por seu lado, prometeu trabalhar para “aprofundar a melhora e a qualidade de vida do povo baiano” e prometeu fazer um governo melhor do que o de Wagner, seu padrinho político. Ao lado do governador atual, ele disse que vai trabalhar “cidade a cidade” para que a presidente Dilma Rousseff consiga a reeleição.

Costa pediu que os eleitores que o elegeram votem em Dilma no segundo turno. “Foi a presidente que mais estendeu a mão para a Bahia e o povo baiano. Podemos fazer muito mais com a eleição dela, vamos dizer isso ao povo baiano”, afirmou.

Costa, deputado federal licenciado e ex-chefe da Casa Civil de Wagner, obteve 54,5% dos votos, ante 37,3% do principal adversário. Com isso, os petistas mais uma vez derrotaram o “carlismo”, movimento político liderado pelo ex-senador Antonio Carlos Magalhães (antigo PFL, atual DEM), morto em 2007. Os petistas conseguiram repetir 2006, quando Wagner, contrariando os prognósticos, venceu Souto no primeiro turno após uma arrancada na reta final. Costa iniciou a campanha com menos de 10% das intenções de votos, segundo o Ibope, ante mais de 40% de Souto.

O DEM fracassou na tentativa de repetir o sucesso da eleição municipal da capital baiana, quando elegeu ACM Neto prefeito de Salvador contra o PT. O embate teve um duelo paralelo entre o próprio ACM Neto, bem avaliado na prefeitura, a quem Souto buscou associar sua campanha, e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, cuja imagem Costa explorou bastante.

Na reta final, a campanha de Costa reforçou a tese de alinhamento político com o governo federal. A oposição apostou na desvinculação das eleições nacional e estadual e no desejo de mudança.

Antes de Wagner, os quatro governadores anteriores do Estado estavam ligados ao antigo PFL: ACM, César Borges e o próprio Souto (duas vezes).

Para Wagner, a vitória de Costa nas urnas é resultado da aprovação da população a seu governo. Ele aproveitou a oportunidade para alfinetar ACM Neto, que teria pretensões de disputar o governo da Bahia nas próximas eleições. “Não vou dizer que não está fazendo nada, mas está longe de ser um prefeito que mudou a cidade”, disse.

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