André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Em discurso da vitória, presidente Dilma Rousseff diz estar disposta a diálogo

Petista subiu ao palanque ao lado do ex-presidente Lula e líderes de partidos aliados

Vera Rosa, Tânia Monteiro, Rafael Moraes Moura, O Estado de S. Paulo

26 Outubro 2014 | 22h40

Atualizado à 0h51 de 27/10.

BRASÍLIA - Eleita para o segundo mandato com 51, 64 % dos votos válidos, a presidente Dilma Rousseff pregou neste domingo, 26, a reconciliação nacional e conclamou todos os brasileiros a se unirem em favor do futuro "da pátria, do País e do povo". Em seu primeiro pronunciamento após a mais acirrada disputa presidencial desde 1989, Dilma disse não acreditar que a eleição tenha dividido o País ao meio, prometeu combater a corrupção, acenou para o mercado e garantiu que trabalhará para construir pontes com os adversários. 

Ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a quem chamou de "militante número um", de ministros, dirigentes de partidos aliados e do vice Michel Temer, Dilma afirmou que o calor da campanha “pode e deve” se transformar agora em energia positiva de um novo momento para o Brasil. 

‘Diálogo’. “Essa presidente aqui está disposta ao diálogo e é esse o meu primeiro compromisso do segundo mandato: diálogo”, insistiu ela, que em nenhum momento citou o nome do desafiante Aécio Neves (PSDB). A presidente reeleita fez vários acenos para a distensão, após uma disputa cheia de ataques e ofensas pessoais entre o PT e o PSDB e prometeu ser “muito melhor” no segundo mandato.

“Vamos nos dar as mãos e avançar nessa caminhada, que vai nos ajudar a construir o presente e o futuro", discursou ela. "União não significa necessariamente unidade de ideias nem ação monolítica conjunta. Pressupõe, em primeiro lugar, abertura e disposição para o diálogo.” 

A disputa entre Dilma e Aécio foi tão apertada que, até a divulgação do resultado, o desfecho da eleição era imprevisível. O tucano teve 48,36% dos votos. "Às vezes, na história, resultados apertados produziram mudanças mais fortes e mais rápidas do que vitórias muito amplas", argumentou a petista. 

Logo no início do pronunciamento, em um hotel de Brasília, Dilma agradeceu Lula, que lhe deu um forte abraço e um beijo no rosto. Os militantes do PT aplaudiram a dupla e gritaram “1,2,3, é Dilma outra vez”, “Lula, eu te amo!” e “Tucano, aceita, é Dilma reeleita”. Apesar dos afagos, os dois tiveram várias desavenças nessa campanha.

Dilma assegurou que se empenhará para fazer a reforma política e prometeu combater "com rigor" a inflação. Denúncias de corrupção na Petrobrás e de má gestão na economia foram os assuntos dominantes da campanha eleitoral.

“O Brasil saiu maior dessa disputa e sei da responsabilidade que pesa sobre os meus ombros. Hoje estou muito mais forte, mais serena e mais madura para a tarefa que vocês me delegaram”, assegurou.

Com a voz rouca e visivelmente emocionada, ela prosseguiu, adaptando um trecho do Hino Nacional: "Brasil, mais uma vez, essa filha tua não fugirá da luta." Todos cantaram o Hino. Na frente do púlpito onde Dilma fazia o pronunciamento havia uma bandeira do Brasil.

Economia. Interrompida várias vezes por aplausos da plateia, a presidente pediu o fim das divergências após o resultado das urnas em nome de um País mais inclusivo, mais moderno e mais produtivo.

“Conclamo, sem exceção, a todas as brasileiras e brasileiros para nos unirmos em favor do futuro de nossa pátria, de nosso País, do nosso povo”, insistiu ela. “Não acredito, sinceramente, do fundo do meu coração, que essas eleições tenham dividido o País ao meio. Em lugar de ampliar divergências, de criar um fosso, tenho forte esperança de que a energia mobilizadora tenha preparado um bom terreno para a construção de pontes.”

Em um aceno ao mercado financeiro, com quem travou uma guerra nos últimos meses, Dilma anunciou que dará "mais impulso” à atividade econômica em todos os setores, especialmente no industrial. Disse, ainda, que promoverá “com urgência” ações para a retomada do crescimento econômico, que deve ser de apenas 0,27% neste ano, de acordo com projeções do mercado. 

“Seguirei combatendo com rigor a inflação e avançando no terreno da responsabilidade fiscal. Vou estimular o mais rápido possível o diálogo e a parceria com todas as forças produtivas e financeiras do País . Antes mesmo do início do meu próximo governo eu prosseguirei nessa tarefa”, garantiu. 

Presidente planeja alguns dias de descanso na Bahia

A primeira semana da presidente reeleita Dilma Rousseff será de acertos e balanços iniciais. Mas, segundo um de seus interlocutores, ela pretende descansar na Base Naval de Aratu (BA), por 4 ou 5 dias, com a família, a partir de quinta-feira. 

Após as primeiras conversas políticas, no início da semana, deve comparecer à abertura do Salão do Automóvel no Anhembi, no dia 30, em São Paulo. Somente na volta do descanso, começará as negociações partidárias para a reforma ministerial. A prioridade deve ser a escolha do titular do Ministério da Fazenda, para tentar reduzir o estresse que tomou conta do mercado nos últimos dias. O nome é considerado uma “incógnita”. / TÂNIA MONTEIRO

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