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Efeito colateral

João Bosco Rabello

Não é de todo ruim para o PSB o conflito interno com a Rede, que ganha visibilidade no estágio atual de construção das alianças regionais para as eleições deste ano.

Dissidente à esquerda, que troca a parceria com o PT pelo PSDB, Eduardo Campos se beneficia da crítica de Marina Silva aos tucanos, que sublinha o perfil socialista de sua candidatura, distinguindo-a da imagem neoliberal aplicada ao aliado natural do primeiro turno.

Não obstante a manipulação política que localiza o PSDB à direita, vitoriosa pela ausência de um partido conservador autêntico e atuante, ela se estabeleceu como verdade ideológica no imaginário do eleitor.

Nesse contexto, torna-se importante situar a aliança PSDB/PSB como uma união de forças oposicionistas empenhadas em convencer seus eleitorados de seu acerto estratégico.

Se limitados ao plano retórico, os excessos de Marina Silva, materializados nos vetos públicos a alianças estaduais, compensam os desgastes e se inserem no legítimo exercício político de preservar a individualidade de atores distintos unidos pelo objetivo comum de derrotar o mesmo adversário.

Marina, assim, vocaliza o que convém a Campos calar.

Papel comum também a correligionários de Aécio, quando este precisa reagir publicamente, permitindo vislumbrar na forma cavalheiresca, conveniente agora, os embates acirrados que os separariam na remotíssima hipótese de irem ao segundo turno. A solidez da parceria poderá ser avaliada na segunda quinzena de março quando o mapa das alianças de PSDB e PSB ganhará mais definição.

Essa leitura pode tornar precipitadas previsões sobre o desfecho de casos mais rumorosos como o suscitado pelo veto de Marina Silva à aliança com o PSDB em São Paulo.

Território caro a Marina pela expressividade na luta em defesa do meio ambiente, o Estado é, porém, mais estratégico eleitoralmente ao PSB, que administra o ímpeto da ex-senadora em favor da preservação de uma aliança já consolidada com os tucanos.

O partido informa dispor de uma pesquisa em que 46% dos eleitores de Marina, ou seja, 20% das intenções de voto no Estado, apoiam o governador Geraldo Alckmin, e outros 30% que defendem candidatura própria não a identificam em um candidato da Rede, mas do PSB.

São dados consistentes a desafiar o limite da concessão de Marina ao pragmatismo político, em favor do objetivo maior que motivou a aliança da Rede com o PSB. Desconsiderar a pesquisa, pode equivaler a avalizar o diagnóstico de tucanos, entre os quais o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, de que a Rede faz do PSB seu cavalo de Troia.