Disputa acirrada das eleições no Brasil é destaque na imprensa internacional

Jornais estrangeiros ressaltaram polarização política do País

Gabriela Korman, Maria Eduarda Chagas e Stéfano Mariotto, Especial para o Estado

26 Outubro 2014 | 23h58

As eleições no Brasil ocuparam posição de destaque nos principais jornais do  mundo. Com o fim da apuração dos votos, a maioria das publicações comentou a disputa acirrada entre Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB), além de ter salientado a agressiva campanha eleitoral e polarização que se intensificou nas últimas semanas nas ruas e redes sociais.

O site do jornal norte-americano The New York Times configurou a disputa como o confronto de uma líder "esquerdista" e de um desafiante "centrista", ressaltando a crescente polarização política do País. Segundo o jornal, muitos dos eleitores temiam que uma mudança no governo pudesse diminuir os benefícios sociais que tiraram "milhões de brasileiros da miséria". O periódico apontou, entretanto, que a expansão dos programas de assistência social durante os governos petistas teve como base "o projeto de estabilização econômica posto em prática pelos sociais-democratas na década de 90". A publicação lembrou ainda que a presidente eleita, Dilma Rousseff, terá de lidar com o escândalo da Petrobrás no próximo mandato, de quatro anos. 

O site da Al Jazeera deu espaço para o discurso da presidente após a vitória, no qual Dilma disse estar determinada a empreender reformas e mudanças que a sociedade exige. Como maiores desafios, elegeu os problemas na economia,  a frustração pública com serviços de má qualidade e a "corrupção endêmica". A matéria também afirma que a campanha petista tentou retratar o oposicionista como um "playboy sem coração", pouco preocupado com os pobres.

Europa. O espanhol El País destacou que a votação foi a mais disputada desde a redemocratização do Brasil e afirma que "o pleito foi marcado por denúncias e ataques mútuos por parte de ambas as campanhas." O jornal frisou ainda que, no segundo turno, os eleitores do PT e PSDB defenderam, muitas vezes com ânimos exaltados, seus candidatos.

O Le Monde ressaltou que os brasileiros ficaram divididos entre as conquistas sociais do PT e uma alternância capaz de reanimar a economia, em recessão no país. A publicação francesa destacou que o partido, há 12 anos no poder, retirou 40 milhões de pessoas da pobreza. A matéria acentuou que a reeleição de Dilma foi decidida "no seio da classe média brasileira nos Estados do Sudeste, mais populosos e industrializados", onde ocorreram as principais manifestações de junho de 2013. 

A BBC disse que a rivalidade atingiu parte do eleitorado com manifestações violentas proliferadas nas redes sociais. Segundo o veículo inglês, Dilma Rousseff é "popular entre os pobres por causa das políticas sociais de seu governo" e os brasileiros que apoiaram Aécio Neves são, em sua maioria, os mais ricos, que o consideravam capaz de "colocar a economia nos trilhos novamente depois de quatro anos de baixo crescimento econômico e com o Brasil tecnicamente em recessão". 

A revista alemã Der Spiegel afirmou que o resultado foi uma "corrida cabeça a cabeça". O site da publicação lembrou que é a quarta disputa seguida em que os candidatos tucanos são derrotados na eleição presidencial, e atribuiu principalmente às classes trabalhadoras e aos pobres a vitória petista, apontando que 50 milhões de pessoas foram beneficiadas pelos programas de assistência social.

Segundo o italiano Corriere della Sera "a tensão da campanha, longa e por vezes violenta, também foi refletida no dia decisivo." A notícia destacou ainda repercussão do estado de saúde do doleiro Alberto Youssef, que foi hospitalizado no sábado, um dia  antes da votação. O fato gerou todo tipo de especulação. O jornal afirmou que o País continua dividido em dois com "Rousseff dominando o Nordeste, pobre, onde o efeito dos programas sociais é mais forte, ao mesmo tempo em que é forte sua rejeição nos Estados mais ricos, principalmente em São Paulo". De acordo com a reportagem, a expectativa é de um forte investimento na economia, "depois de uma enxurrada de números decepcionantes."

Vizinhos. Para o argentino Clarín, a campanha eleitoral deixará como legado um Brasil dividido e que "pesa sob os ombros da presidenta reeleita a responsabilidade de buscar uma reconciliação para se manter à frente dos delicados problemas econômicos e políticos do Brasil".

O periódico venezuelano El Universal afirmou que "a candidata Dilma apostou que a gratidão dos brasileiros pela década de progresso poderia mais do que os temores pelo cenário econômico incerto". Sobre o candidato Aécio Neves, o jornal ressaltou seu compromisso em manter os programas sociais. "Ambos chegaram quase empatados ao fim de uma campanha amarga e cheia de altos e baixos."

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