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Entrevista. Márcio França, candidato à vice-governador e presidente do PSB em São Paulo

Considerado um nome da 'ala tucana' do partido de Campos, França afirma que Marina precisa pensar em apoios no 2º turno

Dirigente defende gesto pró-PSDB

Caio Junqueira

22 Agosto 2014 | 03h 00

Candidato a vice-governador na chapa com Geraldo Alckmin (PSDB), o presidente do diretório paulista do PSB e tesoureiro da legenda, Márcio França, é um dos integrantes do partido mais ligados aos tucanos. Nessa entrevista ao Estado, ele defende a imediata aproximação de Marina Silva com os tucanos com vista à disputa do segundo turno que, segundo ele, será entre ela e a presidente Dilma Rousseff.

França, um dos nomes que resistia à indicação de da ex-ministra do Meio Ambiente como substituta de Eduardo Campos, declara também que Marina precisa emitir mensagens à sociedade, como a que o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva fez em 2002, com a Carta ao Povo Brasileiro.

A relação entre Marina e PSB será de crises permanentes?

O problema é que é uma relação que estava prevista para ter um gênio como o Eduardo intermediando. Sem esse gênio, falta uma peça fundamental para que ela caminhe com tranquilidade. Mas é preciso reconhecer que temos crédito com ela. Quando você é vice nas condições em que Marina estava, ela estava com muito crédito porque emprestamos a legenda para o partido dela. Agora nós temos crédito. Pegamos nosso partido e demos a um candidato. Você acha se a Dilma não fosse candidata o (Michel) Temer seria no lugar dela? Ou se o Alckmin sair eu seria o candidato?

Qual sua avaliação desta primeira crise?

Vamos resolvê-la. Marina é coerente e é bom lidar com quem é coerente e sincero nas posições. Admiro isso em Marina, mesmo que divirja dela.

O que Marina precisa fazer para vencer a eleição?

Precisa fazer inflexões. Temos a expectativa de que ela possa incorporar um pouco do Eduardo. O forte do Eduardo era esse poder de convivência. E, nitidamente, o Eduardo incorporou a Marina ao falar da nova política. Agora, ela terá que incorporar Eduardo e mandar mensagens como o Lula fez em 2002 para vencer. (Lula fez a Carta ao Povo Brasileiro com sinais de que não mexeria nos fundamentos econômicos

Que tipo de mensagem?

Uma mensagem para a sociedade. Fazer sinais de governabilidade, segurança, mostrar que não é radical, que cede.

Como fazer isso?

Esses sinais devem ser feitos em cima de pessoas que tem algum lastro político. Não dá para fazer isso em cima de políticos questionáveis eticamente. O Alckmin é um bom canal para fazer isso. A imagem que ele tem é de um político pobro, honesto, simples. Então por que não se vincular a ele? É preciso um gesto na direção do PSDB e a esse eleitorado pois o eleitor que é, por exemplo, do DEM, detesta o PT e pode ser útil.

Isso já para o segundo turno?

Sim. Acho pouco provável ir Aécio e Marina para o segundo turno. O provável é que ela esteja no segundo turno contra a Dilma. Se Geraldo for, vai ser contra Padilha ou Skaf, que apoiam Dilma. E ela vai dizer o que? Pode ficar neutra. Aí o Geraldo pode ficar neutro também.

Também deve buscar o apoio do Aécio para o segundo turno?

Claro.

O sr. acha que Marina aceitaria esse apoio? O apoio do Aécio no segundo turno?

Fácil. Ela quer derrotar Dilma.

Esses gestos a beneficiam?

São gestos para a classe política que no fim das contas são para ela própria. Você pega uma cidade como Campinas, governada pelo PSB, com cerca de 800 mil de eleitores. O prefeito lá só pode ajudar a campanha dela. Nesses locais e principalmente nos pequenos municípios é onde ela precisa mais da política. Precisa fazer com que os políticos sintam que estão participando do processo. Se ela nega a política, eles vão falar: ‘ela que se vire’.

Acha que após as eleições, a Rede deixa o PSB?

Eles e nós falamos que haverá essa separação. Mas, se vencermos, acredito que ela vá recuar e a Rede fica dentro do PSB. A lei mudou e não há benefício algum em criar um partido. Não arrasta mais tempo de TV nem fundo partidário. 

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