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Dilma recebe relatório sobre morte de jornalistas

BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

07 Maio 2014 | 02h 07

Um grupo de participantes do 6.º Fórum Liberdade de Imprensa e Democracia entregou ontem à presidente Dilma Rousseff, no Palácio do Planalto, um relatório que aponta pelo menos 12 jornalistas assassinados desde que ela tomou posse, em janeiro de 2011. Outros cinco casos estão sendo investigados. Aos integrantes do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), órgão que elaborou a pesquisa, a presidente afirmou que o governo prepara um observatório de monitoramento dos crimes contra profissionais do setor.

O relatório destaca que o Brasil luta para superar suas contradições, possui uma economia forte, mas jornalistas são regularmente assassinados impunemente e submetidos a assédio legal e à censura judicial. "A presidente Dilma Rousseff está diante do desafio de criar um ambiente mais favorável para a mídia", avaliou Joel Simon, representante do CPJ, na abertura do relatório. "Em grandes capitais e regiões metropolitanas está mais consolidado o respeito à mídia, aos jornalistas e à liberdade de expressão", ressaltou o jornalista Fernando Rodrigues, da Folha de S.Paulo. "Já em localidades mais remotas do interior isso nem sempre é verdade."

A pesquisa destaca que a violência atinge profissionais das mais diversas áreas do jornalismo. O cronista Valério Luiz de Oliveira, de 49 anos, da Rádio Jornal, de Goiânia, morto em julho de 2012, é um dos jornalistas citados na lista. Um atirador em uma motocicleta disparou quatro vezes contra Oliveira no momento em que o jornalista deixava a rádio. A família do cronista avalia que o crime está relacionado com as críticas dele em relação à diretoria do Atlético Goianiense.

O advogado Valério Luiz de Oliveira Filho, que atua no processo da morte do pai, afirmou durante o fórum que o "coronelismo" em Goiás é um entrave às investigações. Valério Filho relatou que o empresário Maurício Sampaio, que pertencia à diretoria do Atlético Goianiense, chegou a ser preso duas vezes a mando da Justiça, mas conseguiu ficar em liberdade e sem previsão de julgamento.

O relatório mostra que o crime organizado está por trás de alguns assassinatos. Em março, o jornalista Rodrigo Neto, da Rádio Vanguarda, de Ipatinga (MG), foi atingido por tiros disparados por dois homens em uma motocicleta após participar de um churrasco. Neto fazia reportagens "contundentes", segundo o relatório, sobre a corrupção policial na região do Vale do Aço. O jornalista já tinha sido ameaçado de morte.

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