Dilma recebe Lula e operação ameniza crise

Integrantes dos Poderes agiram para neutralizar a escalada de acusações no episódio envolvendo o ex-presidente e o ministro do STF Gilmar Mendes

BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

31 Maio 2012 | 03h13

A presidente Dilma Rousseff comandou ontem uma operação para desidratar a crise envolvendo o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Um script bem encadeado, que mobilizou integrantes dos três Poderes, foi posto em ação para neutralizar a escalada de declarações.

O Palácio do Planalto divulgou nota, ontem, contestando reportagem do Estado sobre o assunto. Também em nota, o jornal manteve as informações (leia as íntegras abaixo).

A senha para a operação de serenar os ânimos foi dada pelo presidente da Câmara, Marco Maia (PT-RS), que na terça-feira chegou a criticar Mendes. Ontem, porém, Maia sugeriu um "chá de camomila" aos exaltados. "O importante é que se passe uma borracha nesse episódio, que não vai trazer problema para o Brasil. Temos que dar um chá de camomila a todos os envolvidos, principalmente neste momento em que se aproxima a votação (do mensalão) no Supremo."

Encontros. Lula esteve ontem em Brasília e conversou sobre a crise com Dilma, em almoço de duas horas, no Palácio da Alvorada. Ele foi acusado por Mendes de ajudar "bandidos" que querem "melar" o julgamento do processo do mensalão, no STF. Pela versão do ministro, Lula ofereceu blindagem a ele na CPI do Cachoeira em troca de um acordo para adiar o julgamento.

O ex-presidente chegou na noite de terça-feira em Brasília. Naquele mesmo dia, ele recebeu o ministro da Pesca, Marcelo Crivella, e repetiu estar "indignado" com a atitude de Gilmar Mendes. Ontem, Lula se reuniu no hotel com os ministros Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência), Ideli Salvatti (Relações Institucionais) e com o líder do governo na Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Dilma orientou os auxiliares a não mexer nesse vespeiro e ficou furiosa com notícia dando conta de que ela está preocupada com a crise e com o possível esgarçamento das relações com o Judiciário. O governo nega a operação abafa e a ordem no Planalto é não falar sobre o assunto. Nos bastidores, o comentário é o de que a imprensa não explora as "contradições" nas entrevistas de Mendes e está disposta a condenar Lula.

Na noite de hoje o ex-presidente deve dar explicações sobre a polêmica no Programa do Ratinho, do SBT. Foi uma estratégia definida para que Lula possa falar ao vivo num programa popular.

Ainda ontem, Dilma aproveitou um discurso durante solenidade de entrega da quarta edição do "Prêmio Objetivos do Desenvolvimento do Milênio" para homenagear Lula. "Processos e pessoas têm uma ligação íntima. As pessoas nos lugares certos e na hora certa mudam os processos e transformam a realidade. Por isso, eu queria, de fato, aqui fazer uma homenagem especial ao presidente Lula", afirmou Dilma.

Ela foi interrompida por aplausos da plateia, que se levantou e gritou "Olê, olê, olê, olá, Lula, Lula", em coro. "Faço essa homenagem pelo desempenho do presidente Lula em se comprometer no Brasil com a questão do desenvolvimento e da oportunidade para os mais pobres", insistiu Dilma. / RAFAEL MORAES MOURA, TÂNIA MONTEIRO, VERA ROSA e EDUARDO BRESCIANI

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