Dilma planeja viagens a municípios de Minas para fazer contraponto a Aécio

Presidente levará 'kit viagem' para as visitas, que inclui entrega de retroescavadeiras e ônibus escolares

DÉBORA BERGAMASCO, JOÃO VILLAVERDE / BRASÍLIA , O Estado de S.Paulo

06 Abril 2013 | 02h09

Depois de percorrer o Nordeste, a presidente Dilma Rousseff já tem traçada sua rota na estratégia eleitoral para o resto do ano. A partir de agora, Dilma vai levar um "kit viagem" a pequenas cidades de Minas Gerais, reduto eleitoral do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e, no segundo semestre, a comitiva do Palácio do Planalto vai iniciar uma série de visitas a São Paulo, Estado em que o PT vê necessidade de quebrar a resistência dos eleitores ao partido.

A presidente vai desembarcar no Sudeste com seu pacote de equipamentos para o campo - a doação de retroescavadeiras e motoniveladoras para os municípios com até 100 mil habitantes - e para a educação, como a entrega de centenas de ônibus escolares. Esse "kit" já foi levado ao Nordeste pela petista.

Na visão do Palácio do Planalto, a missão estipulada para o trajeto de Dilma pelos Estados nordestinos foi cumprida com sucesso: ela passou seu recado ao propagandear a paternidade de bondades para a região e se saiu bem na pesquisa eleitoral realizada pelo Ibope/Estadão há duas semanas - 62% dos nordestinos declararam votar em Dilma "com certeza", enquanto apenas 8% têm intenção de votar no governador Eduardo Campos (PSB), provável adversário da presidente em 2014.

Após visitar a Bahia ontem, Dilma encerrará o périplo presidencial pela região no Rio Grande do Norte, na semana que vem, acompanhada do presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN) e do ministro da Previdência Social, Garibaldi Alves (PMDB).

As visitas a Minas devem ser iniciadas em maio. A intenção é que a presidente passe por pequenos municípios, como Ribeirão das Neves, a 30 km da capital Belo Horizonte. Nas viagens, Dilma será sempre acompanhada do ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), Fernando Pimentel, que trabalha para ser o candidato do partido ao governo mineiro nas eleições de 2014.

A presidente estará em Belo Horizonte na semana que vem para encontro do PT mineiro que contará também com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde o início do ano passado, o PT deixou de pertencer à base de apoio da Prefeitura de Belo Horizonte. O prefeito Márcio Lacerda, do PSB, foi eleito com apoio de petistas e tucanos, sustentado principalmente pelo ex-governador Aécio Neves. Lacerda conta com apoio formal do PSDB, mas a possível candidatura de Eduardo Campos à Presidência complica o cenário para o prefeito.

Segundo dados do Ibope, na porção Sudeste do País 45% dos brasileiros elegeriam "com certeza" a presidente e 12% dos entrevistados afirmaram que escolheriam Aécio.

São Paulo. O Palácio do Planalto espera chegar com sua cruzada eleitoral a São Paulo, no segundo semestre, com um cenário diferente na economia. O entendimento hoje é que os diversos estímulos ao consumo das famílias e, principalmente, aos investimentos, realizados ao longo dos primeiros dois anos de mandato devem efetivamente acelerar o ritmo do Produto Interno Bruto (PIB) a partir do fim deste ano. A mais recente Medida Provisória (MP) com estímulos à economia, por exemplo, editada ontem, traz mais R$ 5,4 bilhões em renúncia fiscal, mas com entrada em vigor cronometrada para janeiro de 2014.

O jogo eleitoral estará aberto em São Paulo, o maior colégio de eleitores do País, de uma forma quase inédita no ano que vem, entendem assessores do Planalto. Caso os pré-candidatos sejam confirmados - Dilma, Eduardo Campos, Aécio Neves e Marina Silva -, as eleições presidenciais de 2014 serão as primeiras desde 1956 sem a presença de um candidato paulista.

A aposta é total na dobradinha entre Dilma e o prefeito paulistano Fernando Haddad (PT). As viagens presidenciais visam também turbinar a imagem do prefeito Haddad entre os paulistas após um trimestre de inundações, exibindo-o em palanques.

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