Dilma merece aplausos, dizem ministros a pastores

Em convenção da Assembleia de Deus, Carvalho agradece apoio de líderes religiosos e Crivella diz que governo para os pobres eleva dízimo das igrejas

BRUNO BOGHOSSIAN, O Estado de S.Paulo

23 Março 2013 | 02h06

Em um movimento para reforçar laços com grupos evangélicos, a presidente Dilma Rousseff enviou dois ministros de seu governo a São Paulo para discursar diante de 3 mil pastores da Assembleia de Deus Madureira. A segunda maior ala da igreja no Brasil, com cerca de 9 milhões de fiéis, defendeu a campanha da petista em 2010, quando ela enfrentou críticas por declarações a favor da descriminalização do aborto.

Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral da Presidência) e Marcelo Crivella (Pesca) subiram ao púlpito do principal templo da igreja e pediram aplausos para Dilma. A dupla defendeu a aproximação entre o governo e os evangélicos.

"Contem conosco, contem com este governo, contem com a presidenta Dilma para continuarmos trabalhando pelo País com seriedade, com dedicação missionária e com o espírito do evangelho", disse Carvalho.

O ministro participou de um evento oficial no Rio durante a manhã e viajou a São Paulo no início da tarde para participar do Convenção Nacional das Assembleias de Deus Madureira.

Em seu discurso, Carvalho agradeceu aos pastores pelo empenho da igreja em defesa da eleição de Dilma e do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Eu me refiro àqueles momentos na tentativa de impeachment do presidente Lula (após o escândalo do mensalão, em 2005) e no apoio à eleição da presidenta Dilma", explicou.

Para Carvalho, a ida dos dois ministros à Assembleia de Deus em nome de Dilma é comparável ao encontro entre a presidente e o papa Francisco, novo líder da Igreja Católica. "A presidenta, da mesma forma que foi a Roma para a posse do papa, tem muita estima pelo papel das igrejas (evangélicas). Ela sabe que, na ponta, o papel das igrejas em relação aos pobres é muito importante."

Crivella, que é bispo licenciado da Igreja Universal, elogiou os governos do PT e afirmou que os pastores deveriam "aplaudir" Dilma, pois as políticas públicas voltadas para a população mais pobre permitiram uma arrecadação maior do dízimo - pagamento mensal feito por fiéis para sustentar as igrejas.

"A nossa presidenta e o presidente Lula fizeram a gente crescer porque apoiaram os pobres. E o que nos sustenta são dízimos e ofertas de pessoas simples e humildes", disse Crivella. "Com a presidenta Dilma, os juros baixaram. Quem paga juros é pobre. Com menos juros, mais dízimo."

O ministro elogiou programas sociais do governo e destacou o efeito dos avanços da economia no crescimento das igrejas. "Quando sobra dinheiro, o povo evangélico não vai para a butique pra comprar roupa. Sabe o que o povo faz? Ele vai mais na igreja, dá mais oferta, mais dízimo, faz mais caridade. Então nós temos que aplaudir a presidenta Dilma", declarou.

A Convenção Nacional das Assembleias de Deus Madureira reuniu líderes religiosos para traçar diretrizes da igreja evangélica, como o engajamento contra a descriminalização do aborto e a união civil de pessoas do mesmo sexo.

Vaivém. Carvalho foi responsável pela aproximação entre evangélicos e a campanha de Dilma em 2010. Em 2012, líderes religiosos romperam com Carvalho e Dilma depois que o ministro defendeu uma "luta ideológica" contra setores conservadores da sociedade. Carvalho alegou que foi mal interpretado. Semanas depois, os dois lados firmaram uma trégua e, em março, Crivella foi nomeado ministro.

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