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Dilma e Aécio têm divergência programática

Confronto entre os candidatos expõe projetos de País antagônicos na economia e na política externa

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O Estado de S. Paulo

07 Outubro 2014 | 03h00

Confronto entre a petista Dilma Rousseff (PT) e o tucano Aécio Neves (PSDB) expõe projetos de País antagônicos na economia e na política externa. Confira as diretrizes gerais dos dois candidatos ao Palácio do Planalto:

Política externa

Dilma: Prioriza as relações com os países da América Latina e Caribe. Num segundo governo, a petista dá indícios de que planeja fortalecer o Mercosul, a Unasul e a Comunidade dos Países da América Latina e do Caribe (Celac). O plano do PT também prevê que se dê ênfase para as relações com a África e com os países integrantes do bloco dos Brics. Em segundo plano, estão as relações com Estados Unidos e União Europeia.

Aécio: Se eleito, a gestão de Aécio Neves quer rever o modelo do Mercosul e a posição do Brasil no bloco, além de definir novas estratégias de negociações comerciais, bilaterais e globais. No plano de governo, o tucano também propõe que o Brasil lidere a criação de uma área de livre comércio que incluirá o México os países da América do Sul, e conclua as negociações comerciais com a União Europeia. 

Economia

Dilma: Sinaliza muito pouco sobre como quer conduzir a economia num segundo mandato. A presidente já anunciou a saída do atual ministro da Fazenda, Guido Mantega, se eleita, mas não nomeou um substituto. Nas diretrizes apresentadas ao TSE, a campanha promete o combate à inflação, para propiciar um crescimento sustentável. De forma genérica, a petista fala em ampliação do mercado doméstico e do investimento.

Aécio: No programa de governo, Aécio promete cumprir a meta de inflação, atualmente em 4,5%, e depois reduzi-la para 3%. O tucano também planeja reduzir a banda de flutuação dos atuais dois pontos porcentuais para 1,5 ponto. Se eleito, o tucano já anunciou Armínio Fraga como ministro da Fazenda. Aécio promete resgatar o tripé macroeconômico e elevar a taxa de investimento do nível atual de 16,5% do PIB para 24%. 

Representatividade

Dilma: Sem especificar, Dilma fala em reforma política e na convocação de um plebiscito para a definição de vários temas que o partido considera majoritários e de importância. A campanha petista também promete uma reforma política, com a definição de regras para financiamento do sistema eleitoral. Nas diretrizes apresentadas, o partido defende mais espaço para a participação do cidadão nas decisões governamentais.

Aécio: A campanha promete ampliar os canais permanentes diálogos com o cidadão. No programa de governo, o tucano também prometeu o fim da reeleição para presidente, governadores e prefeitos, com mandatos de cinco anos para todos os cargos do Executivo e Legislativo, além da unificação do período da eleição e dos mandatos. A campanha dele também propõe o voto distrital misto. 

Programas sociais

Dilma: Um eventual segundo mandato de Dilma Rousseff deve manter a atual estrutural do programa sociais. O carro-chefe será a manutenção do programa Bolsa Família, que atende todos os brasileiros em situação de extrema pobreza. Dilma também planeja prosseguir com o programa Brasil Carinhoso, que paga um valor adicional para os municípios que abrem vagas em creches para crianças carentes. 

Aécio: Quer transformar o Bolsa Família em política de Estado, incorporando o programa à Lei Orgânica da Assistência Social, e classificar todas as famílias do Cadastro Único do Governo Federal por níveis de risco. A campanha dele ainda defende a adoção do Índice de Pobreza Multidimensional (IPM), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), para medir a pobreza no País. 

Serviço público

Dilma: Promete ampliar o atendimento em creches e universalizar a educação infantil de 4 a 5 anos até 2016. A petista também fala em aumentar a rede de educação em tempo integral para 20% da rede pública até o fim do próximo mandato e as vagas disponíveis no Pronatec. Na segurança, pretende criar a Academia Nacional de Segurança Pública para a formação de policiais. Na saúde, defende o Mais Médicos Especialidades.

Aécio: Na segurança, assumiu o compromisso de reduzir a maioridade penal, para 16 anos, nos casos de crimes gravíssimos, e aumentar o papel do Ministério da Justiça. Aécio defende que o ministério passe dividir a responsabilidade com os Estados. Na saúde, se comprometeu a apoiar a proposta de aplicação de 10% da receita corrente bruta da União para o setor. Na educação, fala em implantar escolas de tempo integral.

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