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Eleições 2014

Dilma diz que 'povo saberá' como separar Marina de seu governo

Marcelo Portela - O Estado de S. Paulo

20 Agosto 2014 | 22h 33

Candidata à reeleição prefere não comentar sobre rival do PSB, mas confia que eleitorado saberá o que são conquistas suas e de Lula

A presidente Dilma Rousseff afirmou ontem (20) que o eleitorado saberá dissociar as realizações das gestões do PT no governo federal das propostas de Marina Silva, que assume o lugar de Eduardo Campos como candidata a Presidência pelo PSB. Marina foi ministra do Meio Ambiente por mais de cinco anos, nos dois mandatos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que já aparece em segundo lugar nas intenções de voto.

Dilma se negou a falar sobre a adversária porque não dá "opinião sobre candidato". "Tenho uma tradição: não comento pesquisas, nem quando estou em cima, nem quando estou no meio. (E) não dou opinião sobre candidato", disse. A presidente deu a entender que não mudará a estratégia diante da entrada de Marina no pleito como cabeça de chapa e salientou que vai "aproveitar o momento eleitoral, que é um momento importante, para mostrar tudo que o governo fez e que não está bem mostrado". E, questionada sobre a forma de dissociar Marina daquilo que o governo "fez", Dilma vou sucinta: "o povo saberá fazê-lo".

A presidente visitou ontem as instalações do Senai no bairro Horto, em Belo Horizonte. No fim da tarde, em entrevista, ela negou que Lula esteja "focado" em conquistar o eleitorado do nordeste favorável a Eduardo Campos, que deixou o governo de Pernambuco vem avaliado após duas gestões. "O presidente Lula está fazendo uma campanha junto comigo porque nós achamos que é o mesmo projeto. Não tem a ver com A, B ou C. Tem a ver com o fato de que eu sou continuidade dos avanços do governo Lula. Eu represento essa continuidade e a construção de um novo ciclo de crescimento. E o presidente Lula está engajado nisso como vai ficar claro ao longo da campanha", ressaltou. Selfies Dilma ficou no local durante toda a tarde e passou em praticamente todas as salas de quatro escolas (Centro Automotivo, Modatec, Cento Tecnológico de Eletrônica César Rodrigues e Centro de Comunicação, Design E tecnologia Gráfica) que têm em sua maioria alunos do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). A presidente aproveitou a visita para fazer gravações para o programa eleitoral gratuito.

E em todas as salas a presidente aproveitou para posar para dezenas de selfies ao lado dos estudantes. No caso de um cadeirante, foi a própria Dilma que sugeriu que ele usasse o telefone celular para registrar a foto. Mas negou que tenha orientado os alunos, a maioria jovens, a compartilharem as imagens. "Tem uma hora que eu tiro selfie. Depois eu digo: compartilhem, vamos tirar uma foto coletiva. Porque não tenho como tirar, com 4 mil pessoas, uma foto com cada uma. É humanamente impossível. O selfie é um recurso limitado", observou. E alegou que não fez os selfies para parecer suavizar sua imagem. "São estereótipos às vezes que criam das pessoas. Eu sou humana, não sou marciana", brincou.

Agenda mista Segundo a assessoria de Dilma, o evento foi uma "agenda mista" presidencial e de campanha e no local havia funcionários tanto da Presidência da República quanto do comitê eleitoral da candidata. De acordo com a assessoria da campanha, os gastos com o transporte aéreo, terrestre e alimentação, por exemplo, são custeados pelo PT.

Após um discurso sobre as vantagens do Pronatec, que, segundo Dilma, vai "mudar o perfil do futuro" no País, a presidente falou também sobre obras do governo federal em Minas que são alguns dos principais motivos de críticas dos tucanos, como o metrô e melhorias na BR-381. Ao falar sobre o metrô, que tem investimento de R$ 2,2 bilhões do governo federal e financiamento de R$ 1,7 bilhão de "pai para filho ou de mãe para filho, como quiserem", Dilma lembrou que também há projetos em outras capitais e que cada um "está numa fase". "Depende de quem está gerindo. Não estou atribuindo nada ao governo do Estado. Cada um tem suas dificuldades", emendou.

Na visita ao Senai a presidente foi acompanhada pelo presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Olavo Machado, aliado do senador Aécio Neves (PSDB-MG), adversário da petista. Além dele, estavam com a presidente durante a visita o ministro de Educação, Henrique Paim, o secretário de Comunicação Social, Thomas Traumann, o candidato do PT ao governo de Minas, ex-ministro Fernando Pimentel, o coordenador da campanha presidencial petista no Estado, o também ex-ministro Walfrido Mares Guia.

Esta é a segunda visita da presidente a Minas desde o início oficial da campanha. Ela esteve em Montes Claros, no norte do Estado, onde participou, ao lado do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do lançamento da candidatura de Josué Alencar (PMDB), filho do ex-vice-presidente José Alencar, ao Senado.

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