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Dilma dá a militares mais espaço dentro do Planalto

Além de construir anexos para GSI, presidente amplia gastos com setor de espionagem; área civil teve redução de despesas

Leonencio Nossa e Tânia Monteiro, de Brasília, O Estado de S.Paulo

26 Agosto 2012 | 03h05

A presidente Dilma Rousseff está ampliando o espaço dedicado a arapongas e militares na área do Palácio do Planalto. Três novos anexos estão sendo construídos nos fundos da sede do governo federal para abrigar mais funcionários contratados pelo Gabinete de Segurança Institucional, a antiga Casa Militar que perdera influência nos anos 1990. Além do aumento do espaço físico e do número de agentes na ativa, a Presidência elevou os gastos com a espionagem oficial.

Em seu primeiro ano, o governo Dilma executou R$ 347 milhões em despesas com ações da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), órgão do GSI que se chamava Serviço Nacional de Informações (SNI) no tempo da ditadura militar (1964-1985). É o maior valor gasto pelo Executivo nessa área nos últimos cinco anos - R$ 32 milhões a mais que no ano anterior. Já a despesa com a área civil caiu de R$ 490 milhões em 2010 para R$ 436 milhões no ano passado.

A estimativa é de que o número de militares e espiões lotados no Planalto aumente com a inauguração dos novos pavilhões. Em 2002, o efetivo do GSI era de 649 agentes. Quando Luiz Inácio Lula da Silva deixou o governo, em 2010, o número chegava a 800. Agora, no começo de 2012, o gabinete conta com 907 militares e espiões, sendo 46 com funções gratificadas. Dos 3.066 funcionários lotados no Planalto, quase um terço é militar.

Necessidades. Em nota de esclarecimento, o GSI limitou-se a informar que os novos prédios vão abrigar apenas funcionários dos setores administrativo e de apoio e a Guarda Militar, subordinada ao Comando do Exército. O comunicado enviado à reportagem não inclui arapongas na relação.

"Os três pavilhões que estão sendo construídos nas dependências do Planalto, distribuídos em administrativo, de apoio e garagem, têm como propósito atender às necessidades da Secretaria de Segurança Presidencial e servir como Alojamento da Guarda Militar. A obra está em fase de conclusão, faltando o trâmite de ligação elétrica e rede telemática", destacou o comunicado, sem citar valores.

Atualmente, a estrutura do Planalto conta com o prédio principal, de quatro andares e um subsolo, inaugurado em 1960 pelo então presidente Juscelino Kubitschek, e garagens e quatro anexos, onde funcionam a Vice-Presidência, a segurança, e outros órgãos. Os seguranças e arapongas do GSI ainda dividem espaço no quarto andar do prédio principal com funcionários da Casa Civil, da Secretaria de Relações Institucionais e da Secretaria-Geral, outras três pastas que funcionam no Planalto.

Com os novos anexos, o general José Elito, chefe do GSI, será o ministro com maior espaço físico na Presidência. Além de mandar na Abin, ele é responsável pela segurança presidencial e por abastecer o gabinete da presidente com informações sigilosas sobre setores diversos. É também o menos influente ministro que trabalha no Planalto. A relação dele com Dilma é fria, avaliam interlocutores do governo.

Civis. De 2010 para 2011, o Planalto reduziu gastos com apoio administrativo e ações políticas. Só as despesas com comunicação ficaram no mesmo patamar - R$ 180 milhões em 2010 e 2011. Os dados foram obtidos no Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi), por técnicos da assessoria de Orçamento do DEM no Congresso.

A Secretaria-Geral da Presidência, do ministro Gilberto Carvalho, foi um dos setores civis que mais perderam verba e prestígio. O antecessor de Carvalho, Luiz Dulci, era o responsável pelas viagens apoteóticas de Lula pelos sertões.

A Secretaria-Geral chegou a montar uma rede de agentes sociais para recepcionar o presidente nos deslocamentos pelo País que, agora, perdeu espaço. A dotação executada de despesas de Lula com a máquina civil só aumentava, passando de R$ 459 milhões em 2009 para R$ 490 milhões em 2010.

Ao contrário das despesas do setor civil, os gastos da arapongagem continuaram em ritmo crescente após a mudança de governo. Em 2007, a administração Lula executou R$ 172 milhões com as ações da Abin. A despesa passou para R$ 211 milhões em 2008, R$ 257 milhões em 2009 e R$ 315 milhões em 2010.

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