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Dias afirma que não errou e é tudo 'fogo amigo'

BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

03 Março 2014 | 02h 05

Titular do Trabalho nega ter feito acertos, avisa que não teme ser investigado e que ADRVale está proibida de receber verbas

O ministro do Trabalho, Manoel Dias (PDT-SC), disse não temer a abertura de investigação sobre seu envolvimento em suposto esquema do partido para empregar "fantasmas". Ele atribuiu as acusações de um ex-dirigente do partido a "fogo amigo" e reiterou não ter feito nenhum acerto para que pedetistas recebessem "salários", sem prestar serviços, de entidade financiada pela pasta. "Nunca fiz nenhum pedido desse tipo. Quem é esse cara para me acusar de qualquer coisa? Não falei para ele trabalhar para ONG".

Questionado sobre a quantidade de pedetistas que constavam da folha de pagamentos da entidade, segundo concluiu a apuração da Controladoria-Geral da União, Manoel Dias mostrou-se surpreso: "Eles não trabalhavam? Só recebiam? É impossível que isso aconteça. Que eu saiba, não tem nada disso".

Embora a Polícia Federal informe em relatório que chegou a tratar de depoimento do ministro com advogado por ele constituído, Dias alega não ter sido chamado a se explicar. "Não me neguei a nada. Nunca falaram comigo", sustenta.

No cargo. O ministro disse que permanecerá no cargo e que, em breve, o diretório nacional do partido vai se reunir para deliberar sobre o que fazer no ano eleitoral de 2014. "A tendência é apoiar a reeleição da presidente Dilma", adianta.

O Ministério do Trabalho informou que aguarda dados oficiais do inquérito para se manifestar. Em nota, explicou que a ADRVale está proibida de receber recursos federais.

Segundo a pasta, a prestação de contas do convênio investigado foi concluída com parecer pela desaprovação e enviada para instauração de tomada de contas especial - processo pelo qual se apuram o valor e as responsabilidades por falhas na execução de recursos públicos.

"A análise dessa entidade foi feita pela comissão especial instituída pelo ministro Manoel Dias, via portaria, que tem o objetivo de analisar as prestações de contas de convênios nos últimos anos, tendo como prioridade os citados em investigações", ressaltou a nota do ministério, acrescentando que remeteu à PF as informações pedidas.

A advogada que representa a ADRVale, Ana Helena Boos, não deu retorno aos pedidos de explicação do Estado. Em seu escritório, o atendente disse que repassaria o recado do jornal. Em ocasiões anteriores, a advogada disse que os convênios foram executados regularmente e que as pessoas que constavam da folha de pagamentos, sendo ou não filiadas ao PDT, trabalharam de fato. / F. F.

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