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Diálogos mostram que deputado do PT ajudou doleiro

O Estado de S.Paulo

06 Abril 2014 | 02h 05

Mensagens interceptadas pela PF e divulgadas pela revista 'Veja' indicam auxílio de André Vargas a empresa de fachada de Yousseff

Mensagens interceptadas pela Polícia Federal mostram o deputado André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara, oferecendo ajuda ao doleiro Alberto Yousseff, preso no mês passado pela Operação Lava Jato. O petista teria atuado no Ministério da Saúde em favor de um laboratório de fachada de Yousseff. Ambos negam as acusações.

O teor das conversas foi revelado ontem pela revista Veja. Yousseff é acusado de operar um esquema de lavagem de dinheiro e de ter atuado em negociações sob suspeita com o ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa, também preso.

Conforme a reportagem, Vargas e Yousseff conversaram em 19 de setembro de 2013 sobre um contrato de R$ 150 milhões para fornecimento de remédios entre o ministério e a Labogen, empresa de fachada do esquema do doleiro, segundo a PF. Yousseff disse a Vargas: "Cara, estou trabalhando, fica tranquilo. Acredite em mim. Você vai ver quanto isso vai valer... Tua independência financeira e nossa também, é claro..."

Um dia depois, segundo a revista, o doleiro pediu ajuda a Vargas. "Estou enforcado. Preciso de ajuda para captar... Tô no limite", disse Yousseff. O vice-presidente da Câmara afirmou que iria "atuar".

No mesmo dia, o doleiro mencionou uma "visita dos técnicos MS às 14h30", sigla do Ministério da Saúde. Em nova mensagem, Yousseff disse a Vargas: "Terminou a visita. Fomos bem. Temos que aguardar o relatório". O vice-presidente da Câmara responde: "Vamos cobrar. Preciso do retorno sobre a estruturação".

Vargas e Yousseff dizem se conhecer de Londrina (PR). Na terça-feira, reportagem do jornal Folha de S.Paulo revelou que o vice-presidente da Câmara usou um jato pertencente ao doleiro para viajar de férias com a família para o Nordeste. O deputado divulgou mais de uma versão a respeito do assunto e, na quarta-feira, afirmou na tribuna da Câmara que foi "imprudente" e que cometeu um "equívoco". Vargas nega ter cometido irregularidades, assim como Yousseff. O Ministério da Saúde não chegou a assinar contrato com a Labogen.

Planilhas. As investigações da PF na Operação Lava Jato também levaram à apreensão de documentos em posse de Paulo Roberto Costa. O ex-diretor da Petrobrás foi preso três dias depois do doleiro, sob acusação de que estaria destruindo provas, e posteriormente foi acusado de corrupção passiva. Ele nega as acusações.

Com o ex-diretor, a PF localizou planilhas que indicariam pagamentos feitos por fornecedores da Petrobrás a uma empresa de fachada de Yousseff. Segundo reportagem publicada ontem pela Folha de S.Paulo, nove contratados da estatal depositaram pelo menos R$ 34,7 milhões para uma conta da MO Consultoria. Para a PF, existem "fortes indícios da utilização das contas da empresa para trânsito de valores ilícitos".

Uma única empresa, a Sanko Sider, que fornece tubos de aço para empreendimentos como a refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, depositou R$ 24 milhões. Os contratos da firma com a Petrobrás cresceram mais de 7.000% de 2011 a 2013. A Sanko disse ter pago comissões por serviços prestados.

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